Os efeitos da pandemia na sexualidade de jovens, mulheres e LGBTQI+

Confinados em suas casas, esses grupos estão tendo acesso restrito a informações relevantes sobre direitos sexuais, além de não terem a possibilidade de adquirir métodos contraceptivos

Pílula anticoncepcional
Pílula anticoncepcional (Foto: Reuters/Regis Duvignau)
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Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein - A pandemia da Covid-19 provocou alterações importantes no cotidiano dos jovens. Uma das mudanças foi a redução ao acesso a informações relevantes sobre sexualidade. É o que mostra uma pesquisa feita por estudiosos das renomadas universidades de Columbia e Rutgers, ambas localizadas nos Estados Unidos.

O estudo aponta que o fechamento de escolas e centros sociais impediram a continuidade das discussões sobre sexualidade. Além disso, a imposição da quarentena dificultou o acesso dos jovens – devido a impossibilidade de ir à farmácia ou ao médico – a métodos contraceptivos, como preservativos, pílulas anticoncepcionais e DIU. “Com a pandemia, o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos está prejudicado” afirma a médica Luiza Cadioli, diretora do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. Os grupos mais afetados pelo confinamento, e que sofrem com a possível perda de seus direitos sexuais, são as mulheres e a população LGBTQI+ – lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queer, interssexuais e outras sexualidades ou identidades que não sejam heterossexuais ou cisgêneros. 

Um dos temores dos pesquisadores americanos é que a dificuldade de acesso a informações via conversas ou palestras faça com que muitos jovens, independentemente da identidade de gênero, busquem respostas ou tirem suas dúvidas na internet, onde podem encontrar conteúdos incorretos ou não acharem as soluções. 

Entre os indivíduos da população LGBTQI+, o isolamento pode agravar o sofrimento de muitos que não assumiram suas identidades de gênero ou opções sexuais. Muitas vezes, eles estão em casa, na companhia de familiares refratários. “Além disso, eles não têm com quem conversar” conta Ricardo Dias, coordenador de Políticas LGBTQI+ da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo. 

Tecnologia como espaço de conversa

Uma das formas utilizadas tanto pelo coletivo quanto pela Secretaria Municipal de Diretos Humanos e Cidadania para falar sobre o tema é o uso das plataformas digitais. Por meio delas, as equipes de sexólogos, médicos e psicólogos conseguem se aproximar das pessoas que estão atrás de informações e de ajuda. Contudo, diferentemente das rodas e conversas presenciais, no entanto, o uso do meio digital pode intimidar ou provocar o temor de exposição. 

Tentando contornar esses possíveis problemas de um atendimento online, a secretaria paulistana também disponibiliza para a população LGBTQI+ a possibilidade de ir a um dos três centros de cidadania espalhados pela capital paulista. Essas sessões presenciais estão ocorrendo em horário reduzido e com toda a proteção para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. “Por enquanto os atendimentos caíram, mas é importante ressaltar que as conversas podem ser feitas por telefone”, diz o coordenador.

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