Padilha diz que ainda não há relação causal entre vacina contra a dengue e mortes
Casos que resultaram em internações e dois óbitos após vacinação seguem sob investigação, afirma ministro da Saúde
247 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (8) que as investigações em andamento não encontraram, até o momento, elementos suficientes para relacionar diretamente a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan a três casos graves registrados após a imunização, entre eles dois óbitos. Segundo o Metrópoles, a declaração ocorreu durante o anúncio da suspensão temporária da estratégia de vacinação adotada pelo governo federal com o imunizante.
A medida foi tomada após o registro de 42 reações adversas severas entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Segundo Padilha, os casos seguem sendo analisados por sistemas municipais e estaduais de vigilância, com participação de especialistas e avaliação dos dados disponíveis.
"Temos três casos graves que demandaram internação em UTI e, desses três, dois resultaram em óbito. Até este momento, com base nas investigações já realizadas pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância, ouvindo especialistas e analisando os dados disponíveis, não há informações suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e a ocorrência desses casos graves", afirmou o ministro.
Ele ressaltou que, embora não haja comprovação de vínculo entre os episódios e a vacinação, as ocorrências exigem atenção das autoridades sanitárias. "Não existem dados suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina e esses casos. Ainda assim, trata-se de um sinal de alerta para o sistema de vigilância", acrescentou.
Interrupção temporária da vacinação
O Ministério da Saúde informou que a vacinação com o imunizante do Butantan ficará temporariamente suspensa até a conclusão das investigações sobre os eventos adversos registrados. De acordo com Padilha, os 42 casos graves representam aproximadamente oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas. Apesar da baixa incidência proporcional, o governo optou pela interrupção preventiva da estratégia.
A suspensão atinge profissionais da Atenção Primária à Saúde e localidades que participavam de campanhas específicas de imunização, incluindo Nova Lima (MG), Maranguape (CE), Botucatu (SP) e a região de Araguaína (TO).
Casos sob investigação
Entre os episódios analisados está o de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva, mas recebeu alta hospitalar.
Outro caso envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu em decorrência do agravamento do quadro.
O terceiro episódio investigado é o de um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. Segundo o Ministério da Saúde, ele evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário e também morreu.



