Veja os próximos passos com vacina da dengue suspensa
Suspensão temporária da vacina da dengue busca aprofundar investigação sobre três casos considerados sinais de alerta
247 - O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após notificações de eventos adversos severos em pessoas imunizadas. A interrupção passa a valer a partir desta terça-feira, 9 de junho. Durante o período de suspensão, o governo pretende ampliar o acompanhamento de possíveis ocorrências relacionadas à vacinação na rede hospitalar. A atenção será concentrada principalmente em pessoas que receberam a vacina contra a dengue nos últimos 21 dias. As informações foram publicadas no Metrópoles.
A orientação do Ministério da Saúde é que qualquer sintoma ou reação adversa após a vacinação seja comunicada aos serviços de saúde. A medida busca garantir atendimento rápido aos pacientes e reunir dados que ajudem as equipes técnicas a esclarecer se existe vínculo entre os eventos registrados e o imunizante. Segundo o ministro Alexandre Padilha, os dados disponíveis até o momento continuam indicando que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
A pasta informou que a decisão de suspender a vacina foi anunciada após 42 notificações de reações adversas severas entre aproximadamente 500 mil doses aplicadas no país. A suspensão não significa que a eficácia da vacina tenha sido colocada sob suspeita. A medida tem o objetivo de permitir uma avaliação mais detalhada dos episódios notificados antes de uma eventual retomada da campanha de imunização contra a dengue.
Entre os casos analisados, três foram classificados como sinais de alerta. Dois deles envolvem mortes que seguem em investigação. As autoridades de saúde ainda avaliam exames, histórico clínico e demais informações médicas para verificar se há ou não relação entre os eventos graves e a aplicação da vacina.
Quais sintomas devem ser observados
Como medida de precaução, o Ministério da Saúde recomenda que pessoas vacinadas nas últimas três semanas procurem uma unidade de saúde caso apresentem sinais considerados de alerta.
Entre os sintomas que exigem atenção estão febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.
A recomendação tem como objetivo permitir o acompanhamento adequado de possíveis efeitos adversos e evitar agravamentos sem avaliação médica. O ministério reforça que a comunicação rápida dos sintomas é parte essencial do monitoramento em curso.
Casos graves continuam em análise
Os episódios mais graves seguem sob investigação de equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.
Um dos casos envolve uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas seis dias depois de receber a vacina e desenvolveu quadro compatível com dengue grave. Ela precisou ser internada em unidade de terapia intensiva (UTI), mas recebeu alta posteriormente.
Os outros dois casos envolvem uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos, que morreram após complicações associadas a quadros graves da doença. As autoridades analisam informações clínicas e laboratoriais para determinar se há alguma ligação entre os óbitos e a imunização.
Até o momento, o Ministério da Saúde afirma que não há comprovação de que a vacina tenha causado as mortes. A continuidade das investigações será decisiva para definir se a campanha poderá ser retomada e em quais condições.



