Por Juca Simonard

Vacinação contra Covid em Cuba, um exemplo para a América Latina

Mais de 10,5 milhões (93,3%) tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid em Cuba. 9,8 milhões (86,7%) estão totalmente imunizadas com duas doses e 5,3 milhões (46,8%) já tomaram dose de reforço

Apesar de ser uma ilha com poucos recursos e permanentemente sabotada por embargos norte-americanos, Cuba é um exemplo na luta contra a pandemia na América Latina

Cuba foi o primeiro país da região a vacinar 80% de sua população. Em seis meses de campanha, o país atingiu 90% de vacinação

No mundo, apenas os Emirados Árabes Unidos (99%) e Portugal (94%) têm índices de vacinação melhores que o da ilha

Apesar do boicote, Cuba é o único país latino-americano que produziu vacinas próprias contra a Covid. Hoje, três imunizantes da farmacêutica estatal BioCubaFarma são aplicados

Duas doses da Soberana 02 garantem 71% de imunização. Com mais uma dose da Soberana Plus, a eficácia sobe para 92%. A Abdalla também tem eficácia acima de 92%

A única vacina aplicada em Cuba que não é desenvolvida no país é a Covilo, da farmacêutica chinesa Sinopharm

Enquanto a variante Delta da Covid-19 preocupava o mundo, a ilha caribenha foi o primeiro país a vacinar crianças menores de 12 anos

Cuba também demonstra solidariedade internacional. Durante a pandemia, a ilha abriu suas fronteiras para tratar turistas de cruzeiros que estavam infectados

Desde o início da crise sanitária internacional, o país já enviou mais de 5 mil médicos para ajudar a tratar pacientes da Covid em 57 brigadas para 40 países em todo o mundo

Em janeiro deste ano, Cuba iniciou o processo para obter aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Soberana 02 e Soberana Plus, depois de já ter pedido a autorização para o imunizante Abdala

Assim, as vacinas cubanas podem ser a esperança para os países pobres do mundo que, depois de dois anos de pandemia, ainda não tiveram acesso aos imunizantes das grandes farmacêuticas

No continente africano, por exemplo, a vacinação é baixa, o que deixa a população africana vulnerável ao vírus e gera um campo fértil para o surgimento de novas variantes

Para o mundo pobre, as vacinas cubanas são mais acessíveis, pois são mais baratas, podem ser fabricadas em escala e não requerem ultracongelamento - o que requer muita estrutura

“Acho claro que muitos países e populações do sul global veem a vacina cubana como sua melhor esperança de serem vacinadas até 2025”, disse Helen Yaffe, professora da Universidade de Glasgow, à CNBC

Em Cuba, crianças de 2 anos já podem ser vacinadas e, apesar da vacinação não ser obrigatória, a adesão é muito grande diante do incentivo do governo

O país exige comprovante de vacinação apenas para viajantes que queiram entrar na ilha, um dos locais mais requisitados do turismo internacional