Foto tirada com celular mostra Steffi Layer, gerente de marketing e vendas internacionais da Vinícola Diemersdal, sendo entrevistada pela Xinhua em Durbanville, Cidade do Cabo, África do Sul, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Deng Bingxue)
Por Wang Lei, Deng Bingxue e Wang Xiaomei
Cidade do Cabo, 5 abr (Xinhua) -- Sob o brilho suave do início do outono no Hemisfério Sul, as linhas de engarrafamento funcionam a todo vapor na Vinícola Diemersdal, na Cidade do Cabo, África do Sul. A época da colheita acaba de terminar, deixando fileiras de vinhas cuidadosamente despidas de suas uvas, mas a vinícola continua a todo vapor.
Desde cedo, empilhadeiras transportam garrafas vazias para a linha de produção, onde são limpas, enchidas com vinho fresco, seladas, rotuladas e embaladas, antes de iniciarem sua jornada até o porto da Cidade do Cabo e, de lá, para os mercados globais, incluindo a China.
Essa jornada pode em breve se tornar ainda mais significativa. Com a China se preparando para implementar uma política de tarifa zero para importações de 53 países africanos a partir de 1º de maio, vinícolas como a Diemersdal estão se posicionando para o que consideram um momento essencial.
Para Steffi Layer, gerente de marketing e vendas internacionais da propriedade, em entrevista à Xinhua, a política vai muito além da redução de custos, apontando, em vez disso, para amplas oportunidades que vão desde o aumento dos lucros e a expansão do mercado até a valorização da marca em um mercado internacional chave.
Situada nas encostas frescas de Durbanville, na região vinícola do Cabo, a propriedade de 200 hectares remonta a 1698. Produz uma gama de vinhos, com destaque para o Sauvignon Blanc e o Pinotage, esse último uma casta sul-africana emblemática que tem conquistado os consumidores chineses.
A Diemersdal exporta para a China há quase duas décadas, tendo as exportações chegado a representar entre 1% e 2% da produção, atingindo agora entre 10% e 15% em 2018, antes de diminuírem em meio à pandemia de COVID-19 e às mudanças mais amplas na procura global.
"Na verdade, já exportamos para a China há bastante tempo. Faz quase 16, 17 anos que começamos a trabalhar com o mercado chinês", disse Layer à Xinhua. Embora a procura tenha diminuído nos últimos anos, acrescentou que a remoção das tarifas poderá ajudar a reavivar o interesse e a criar novas oportunidades.
Layer expressou muita confiança no potencial de longo prazo do mercado chinês, apontando para a evolução dos gostos dos consumidores e um aprofundamento na valorização da cultura do vinho.
"Nos últimos dois anos, a demanda diminuiu, mas acredito que há uma grande oportunidade surgindo agora", disse ela, destacando o crescente interesse pelo vinho entre os consumidores chineses, juntamente com uma cultura gastronômica mais desenvolvida que incorpora cada vez mais a harmonização com vinhos.
Ao mesmo tempo, os vinhos sul-africanos mantêm uma vantagem competitiva, disse ela, principalmente em termos de custo-benefício. Segundo Layer, a combinação de alta qualidade e preços relativamente acessíveis permite que os produtores se destaquem globalmente, acrescentando que as rotas marítimas da África do Sul, já bem integradas aos fluxos comerciais globais, aumentam ainda mais seu potencial de exportação.
O otimismo de Diemersdal se baseia na expectativa de que a política de tarifa zero da China abra oportunidades em diversas dimensões, incluindo competitividade de preços, expansão da presença no mercado e um posicionamento de marca mais forte.
"De certa forma, é um pouco de tudo, porque, obviamente, quando as tarifas caírem, o preço do vinho nas prateleiras da China também será muito mais competitivo", disse ela.
Layer acrescentou que a redução das barreiras de entrada pode incentivar os importadores a revisitar os vinhos sul-africanos, ao mesmo tempo que proporciona aos consumidores maior acesso a eles. "Isso elimina a barreira de realmente fazer negócios uns com os outros", disse ela.
Além do preço, Layer vê oportunidades no segmento premium, principalmente devido à contínua preferência dos consumidores chineses por vinho tinto. "O consumidor chinês ainda bebe muito vinho tinto", disse ela, observando que essa demanda permite que as vinícolas operem com preços mais altos e alcancem margens maiores.
Para capitalizar essas mudanças, a Diemersdal começou a fortalecer sua presença na Ásia. Layer disse que a vinícola recentemente firmou uma parceria com um representante baseado na região para fortalecer o conhecimento do mercado e expandir o alcance, incluindo a participação em feiras comerciais, o direcionamento a cidades específicas e o aprimoramento da oferta de produtos para melhor atender aos gostos locais.
Layer observou que a política de tarifa zero também poderia gerar benefícios indiretos em toda a indústria vinícola e cadeia de suprimentos. O aumento das exportações pode impulsionar as margens, permitindo o reinvestimento em produção e logística, além de beneficiar empresas de transporte marítimo, operadores de frete e importadores.
De forma mais ampla, Layer vê o desenvolvimento como parte de um aprofundamento das relações econômicas entre a China e a África do Sul, além de uma cooperação sino-africana mais abrangente. Embora os produtos chineses, de tecnologia a automóveis, estejam cada vez mais presentes na África do Sul, o país oferece produtos agrícolas, como vinho e frutos do mar, que têm demanda crescente na China.
Nesse contexto, Layer expressou confiança de que laços comerciais mais estreitos trarão benefícios mútuos. "Acredito que seja uma situação benéfica para ambos os lados", disse ela.

Um trabalhador dirige trator na Vinícola Diemersdal em Durbanville, Cidade do Cabo, África do Sul, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Wang Lei)

Barril de carvalho são vistos nas instalações de produção da Vinícola Diemersdal em Durbanville, Cidade do Cabo, África do Sul, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Wang Lei)

Tanques de fermentação de aço inoxidável são vistos nas instalações de produção da Vinícola Diemersdal em Durbanville, Cidade do Cabo, África do Sul, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Wang Lei)

Foto tirada em 31 de março de 2026 mostra fileiras de videiras na Vinícola Diemersdal em Durbanville, Cidade do Cabo, África do Sul. (Xinhua/Wang Lei)

Um trabalhador dirige empilhadeira para transportar garrafas de vinho vazias para a linha de produção na Vinícola Diemersdal em Durbanville, Cidade do Cabo, África do Sul, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Wang Lei)


