Felipe Mendonça: “Não é bate-papo de família, é manual de crime”
Professor e advogado desmonta tese da defesa e afirma que mensagens expõem plano de obstrução de Justiça.
247 - O professor de Direito Constitucional e advogado Felippe Mendonça avaliou que as mensagens encontradas no celular de Jair Bolsonaro, trocadas com seu filho Eduardo Bolsonaro, não podem ser interpretadas como simples conversa íntima de pai e filho. Para ele, o conteúdo reforça a caracterização de obstrução de Justiça e conspiração contra as instituições democráticas.
“Não se trata de bate-papo familiar. É praticamente um manual de crime, discutindo como sabotar investigações e escapar da Justiça”, afirmou Mendonça.
Segundo o professor, a tentativa da defesa bolsonarista de minimizar as mensagens é insustentável diante do conjunto de provas já reunidas.
“A estratégia de dizer que era só uma conversa doméstica não cola. Quando se fala em anistia, em obstrução, em articulação internacional contra instituições, não estamos diante de intimidade familiar, mas de práticas criminosas”, frisou.
Mendonça destacou ainda a contradição central no discurso da extrema direita. “Quem não cometeu crime não pede anistia. O fato de insistirem nisso mostra que sabem exatamente o que fizeram: cometeram um crime”, advvertiu.
Para ele, a movimentação bolsonarista deve ser entendida como parte de um crime continuado, um projeto que não terminou com o fracasso da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
“Eles seguem conspirando, mesmo com tornozeleira e prisão domiciliar. A lógica é de um golpe permanente, adaptado às circunstâncias”, disse.