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Feminicídio em joalheria: antes de matar ex-namorada em shopping, homem mandou nudes dela para loja e fez várias ameaças

O autor do crime, Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, não aceitava o fim do relacionamento de cinco anos

Cibelle Alves foi esfaqueada e morta por Cassio Zampieri (Foto: Reprodução)

247 - O feminicídio da jovem Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, dentro de uma joalheria em um shopping de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, foi precedido por meses de perseguição, ameaças e violência psicológica praticadas pelo ex-namorado, segundo investigação policial. As informações foram reveladas em reportagem do programa Fantástico.

O autor do crime, Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, não aceitava o fim do relacionamento de cinco anoscom a vítima e passou a persegui-la após o término, ocorrido em abril de 2025. A polícia apura o caso como feminicídio e investiga indícios de premeditação.

De acordo com as autoridades, Cibelle chegou a registrar boletins de ocorrência por violência doméstica e obteve medida protetiva da Justiça, que proibia o ex-companheiro de se aproximar dela. Mesmo assim, ele continuou enviando mensagens e ameaças, inclusive utilizando transferências via PIX para manter contato.

Em uma conversa apresentada pela investigação, a jovem afirmou ao agressor: "Eu não quero mais contato com você". A resposta dele foi direta: "Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei".

Além das ameaças, Cássio teria enviado fotos íntimas da vítima para o grupo de trabalho da joalheria onde ela atuava, localizada no Shopping Golden Square. Em uma das mensagens anexadas ao inquérito, ele escreveu: "Dessa vez eu vou postar e deixar até você vir pedir desculpas no Instagram para os daqui e no site para os do resto do mundo. Vai ver o que é inferno de verdade".

O material analisado pela polícia também revela o medo constante vivido por Cibelle nos meses anteriores ao crime. Em mensagens enviadas a amigas, ela descreveu episódios de perseguição e tentativas do ex-namorado de invadir o condomínio onde morava."Meu ex tá na portaria da minha casa, mano", relatou. "Parece cena de filme de terror. É sério".

Em outro momento, a jovem demonstrou temor real pela própria vida: "Se ele tivesse entrado, eu já tinha era morrido. Isso sim". E acrescentou: "Liguei pra polícia. Eu tô com medo de verdade".

Mesmo protegida judicialmente, Cibelle expressava descrença na eficácia das medidas legais. Em um áudio enviado a uma amiga, afirmou: "A medida só funciona se ele for pego em flagrante". E completou: "Ele precisa me bater pra acontecer alguma coisa".

Ataque dentro da joalheria
O crime ocorreu na última quarta-feira (25), quando Cássio entrou na loja armado com uma faca e uma arma falsa escondidas na mochila. Ao perceber a presença do agressor, Cibelle tentou fugir, mas foi perseguida e esfaqueada diversas vezes, principalmente na região do pescoço, diante de clientes e colegas de trabalho.

A ação provocou pânico no local. Funcionários correram e o shopping foi parcialmente isolado enquanto policiais tentavam negociar a rendição do suspeito.

Segundo testemunhas, o homem apontava a arma para os agentes. Sem saber que se tratava de uma réplica, policiais reagiram e atiraram contra ele, atingindo sua perna. Ele foi socorrido, levado a um hospital sob escolta e permanece em estado estável.

A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que deverá ser transferido para um Centro de Detenção Provisória após receber alta médica. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.Confissão após o crime
Logo após atacar a ex-namorada, Cássio enviou áudios e vídeos para familiares confessando o assassinato. Em uma das gravações, declarou: "Eu matei a Cibele. E eu vou morrer agora. Eu vou me matar".

Em outro momento, afirmou: “Me segurei ao máximo pra não fazer... eu matei a Cibelle.”Segundo investigadores, o conteúdo reforça a hipótese de que o crime foi planejado. Em nova gravação, o agressor disse: "Eu tô dentro da loja. O único jeito agora é eles me matar. Eu tô com a peça, eles não sabem [que é falsa]. Eu vou morrer, irmão".

Investigação e repercussão
O caso é investigado pelo 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. A polícia analisa todo o histórico de ameaças, incluindo mensagens ofensivas, perseguições presenciais e o compartilhamento de imagens íntimas da vítima.Em nota, o Shopping Golden Square lamentou o assassinato e informou que presta assistência à família da funcionária. A joalheria Vivara também declarou oferecer apoio psicológico e acompanhamento aos familiares.O crime reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e os riscos enfrentados por vítimas de violência doméstica após o término de relacionamentos abusivos — especialmente quando há histórico contínuo de perseguição e ameaças ignoradas pelo agressor.