247 – Colunista da Folha de S. Paulo, Janio de Freitas aponta como o “Kit Serra”, mais ainda do que o kit-gay, colocou sua campanha a perder. Leia:
Kit Serra
Tentativa de homicídio verbal é própria de campanhas, mas desde que seja sobre questões preocupantes do eleitorado
OS INCIDENTES entre José Serra e repórteres multiplicam-se. O repórter brasileiro está entre os mais mansos. Mesmo quando suscita tema delicado, mantém-se distante, muito distante, dos modos incisivos dos repórteres americanos e europeus, que não admitem a função profissional condicionada a cuidados com ares hierárquicos, muito menos a ares intimidatórios.
José Serra conviveu bastante em jornal, no grupo de formulação de editoriais da Folha. Como político, pôde ver a maneira quase dócil do repórter brasileiro na abordagem e na relação funcional com políticos, empresários de porte e ocupantes de cargos de relevo em governo. Como frequentador de Redação, José Serra pôde ver que a transposição do trabalho dos repórteres no jornal depende do trabalho interno de edição. Este, sim, definidor dos realces, do tom, das localizações, do uso de fotos (e das legendas do tipo "Fulano segura um copo", para a foto do fulano segurando um copo).
Apesar daquelas oportunidades de aprendizado e compreensão, José Serra mantém um clima hostil e intimidatório na proximidade de repórteres. Daí seguem-se agressões verbais em direção errada e às quais não falta um componente de covardia, dada a improbabilidade da resposta adequada.
Mas é indispensável reconhecer que os jornalistas não são alvos exclusivos da agressividade verbal de Serra. Sua prometida campanha na base de paz e amor é mensurável pela sucessão de artigos que cobram menos ataques pessoais e alguma abordagem de temas paulistanos. Nessa deformação da campanha Fernando Haddad tem sua cota de responsabilidade.
Se Haddad tem ideais a propor a São Paulo, não se justifica que adira à troca de agressões alheia à razão de ser de eleições. Não falta matéria-prima -na campanha, na política, na vida- para uns dois tarugos que deem resposta a Serra, e pronto. A partir disso, é olhar para o que interessa ao eleitor.
A tentativa de homicídio verbal é própria de campanhas eleitorais. Mas desde que seja em torno de posições quanto aos problemas preocupantes do eleitorado, desde que se dê motivada pelo confronto conservadorismo administrativo (predominante em São Paulo) ou de buscas inovadoras. Chega de jogo sujo nas campanhas. Rebaixá-las assim é trapaça.
Não tenho capacidade de imaginar como é a cabeça de um prefeito e a de governador que esbanjam fortunas em festividades, obras de engodo, dia disso e daquilo, futebol, tudo onde "a espera por atendimento de um endocrinologista é de dez meses", "pacientes reclamam que exames mais específicos, como densitometria, chegam a demorar até dois anos", revelação do jornalista Nilson Camargo sobre medicina em certas áreas da capital (Folha, pág. A2, 13/10/12).
A meu ver, não menos doentes do que tais necessitados são o prefeito e o governo de sua rica São Paulo. Mas doentes de outros males. Cabeças razoavelmente sensatas, ou medianamente sadias, não tolerariam desperdiçar nem um minuto e nem um centavo dos seus poderes enquanto não exterminassem realidades revoltantes como a da perversidade exposta por Nilson Camargo.
Diante disso, a disputa eleitoral em São Paulo-capital volta a ser submetida ao "kit Serra", composto de insultos, desdizer-se, agressões verbais e mania de perseguição.
Comentários
10 comentários em "Janio de Freitas acusa Serra de homicídio verbal"
Daniel 18.10.2012 às 13:28
Um cara que recebeu vários milhares de reais de um governo corrupto a título de perseguição política tem que defender seus correligionários com unhas e dentes. É caso do Sr. Janio de Freitas, beneficiário das manhas do PT.
Marco A Lima - @Limarco 18.10.2012 às 11:58
Depois de ler "A privataria tucana" do jornalista Amaury Ribeiro Jr, vocês entenderão porque o Serra não está fora .
Moises 18.10.2012 às 10:53
O Serra já deveria estar fora da política a muito tempo. Ele é extremamente incompetente e cara de pau. Na verdade, esse é o estilo da maioria no PSDB, pois, se permitiram esse cara ser candidato tantas vezes, é porque compactuam com seu estilo.
Moises 18.10.2012 às 10:48
Os jornalistas brasileiros não são dóceis, são aproveitadores e parciais, algo que vem de seu empregador, pois enquanto os veículos midiáticos manterem estilo parcial, haverá, ainda, todo o conjunto disposto a alterar e distorcer fatos afim de incentivar o espectador a fazer suas (da mídia) vontades.
gilson 18.10.2012 às 10:44
O problema não é o reporter ser manso, eles não podem fazer determinadas perguntas ao PATRÃO, entendeu...Todo mundo sabe que o PSDB é um dos maiores financiadores da: folha, estadão, veja, etc... este sim é o problema do reporter destas empresas.
carlos 18.10.2012 às 09:33
Os jornalistas são dóceis diante de José Serra, mas em relação a candidatos petista são rígidos, só como lembrança, a entrevista da Dilma no Jornal Nacional. Bonner virou um pitbul com a Dilma e poodle com o Serra.
Carlos Castilho Alves 18.10.2012 às 08:56
O Jãnio como sempre, insuperável em suas observações. Me sinto orgulhoso de ver um jornalista da estatura deste camarada. Devia prestar mais um serviços à sociedade, orientando esta corja que infesta a imprensa brasileira
PAULO CEZAR 18.10.2012 às 08:26
ATÉ O NOME DO CARA É AGRESSIVO..... SERRA..
Djijo 18.10.2012 às 07:57
O que deu para perceber no PSDB, ser governo é chique. Se tem gente sofrendo por falta de atendimento, culpa do infeliz que não devia nem existir para atrapalhar as pompas e circunstâncias que o cargo proporciona. Tempos atrás era mais chique ainda pq sempre tinha alguém de farda e peito farto de medalhas para acompanhar as festividades e solenidades.
18.10.2012 às 07:51
VEJA NA INTERNETE O VIDIO QUE O PAULINHO DA FORÇA DIZ QUE O SERRA NUNCA GOSTOU DE TRABALHADOR.LÁ DIZ TUDO O QUE VOCE QUER DIZER PAR ELE.E SÓ JOGAR NO GOOGLE.SERRA NÃO GOSTA DE TRABALHADOR ,PAULINHO DA FORÇA DIZ.