Só cessar-fogo imediato pode interromper genocídio em curso na Faixa de Gaza

A paz definitiva só ocorrerá quando existir um estado para os palestinos. Negociações nesse sentido devem se abrir imediatamente

Corpos de vítimas são enfileirados no chão do maior hospital de Gaza
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Diante do desastre humanitário em curso na Faixa de Gaza, é urgente apelar ao governo de Israel para que, apesar do inaceitável ataque do Hamas a civis, em 7 de outubro, exerça a contenção e interrompa o massacre que realiza, em represália, contra os palestinos daquela área. 

O governo israelense de Benjamin Netanyahu bombardeia a Faixa de Gaza indiscriminadamente. Regiões inteiras são reduzidas a entulho em Gaza e outras concentrações urbanas. As cenas, todos vêem, são apocalípticas. Gaza, região precária por décadas de bloqueio, está sendo reduzida a pó.

O Unicef, fundo das Nações Unidas para a infância, já calculou que mais de 700 crianças perderam a vida desde o início dos bombardeios na região. 

Os que logram eludir as bombas perdem condições de sobrevivência. Sem casa, sem abastecimento de água, sem luz, comida e combustíveis, cortados por Israel, os palestinos enfrentam uma situação desesperadora. 

A contabilidade das vítimas, a maior parte civis indefesos, é aflitiva. Houve 900 mortos e 2500 feridos israelenses no ataque do Hamas. Em Gaza, até agora, morreram 2.300 e houve mais de 7.000 feridos. Muitos agonizam entre os destroços das casas e ao relento.  

Quando acorrem para hospitais, os feridos encontram instalações apinhadas de pessoas, sem as mínimas condições de atendimento e higiene. Os eventos parecem obedecer a uma lógica expressa na sinistra ordem de Netanyahu aos moradores daquela região: “Saiam porque nós vamos destruir Gaza”. Israel quer que os 2,2 milhões de moradores abandonem suas casas e se movam para o sul. Esse êxodo já deslocou 260 mil  pessoas da cidade de Gaza para um destino igualmente trágico, uma carnificina ainda maior, pois lenta, cruel e ao sabor dos elementos. 

Todo o perímetro desértico da Faixa de Gaza é cercado por muros de sete metros de altura construídos por Israel, no que configura a maior prisão do mundo. 

Para completar, a organização Human Rights Watch alertou que Israel tem usado bombas de fósforo branco em ataques ao porto de Gaza e áreas do Líbano. O armamento é proibido pelas Nações Unidas, pois a substância provoca queimaduras gravíssimas. Diante da denúncia, Israel manteve silêncio.

Em resumo, a ação israelense parece coerente com um plano contra os palestinos de Gaza, praticado há pelo menos duas décadas, e para o qual existe um nome que agora é irrecusável: genocídio. 

Urge interromper esta sucessão de desvarios, superando a omissão internacional e a descrença. É preciso insistir na interrupção dos ataques de Israel e palestinos, por meio de um acordo de cessar-fogo.

Nesse sentido, a atuação do governo brasileiro tem sido exemplar. O presidente Lula demandou do Hamas a libertação dos cerca de cem reféns israelenses em poder do grupo. 

Na presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, além da trégua, o Brasil tem defendido a criação de um corredor humanitário para minorar o morticínio. Em paralelo, foi providenciada, como consequência do empenho presidencial, uma ágil ponte aérea para o resgate de centenas de brasileiros colhidos em Gaza quando o conflito se instalou.

A paz definitiva só ocorrerá quando existir um estado para os palestinos. Negociações nesse sentido devem se abrir imediatamente, a partir de uma disposição pacificadora dos envolvidos de todos os lados. Só assim o sacrifício de tantas vidas não terá sido em vão.

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