Na manhã desta terça-feira, 31, participei do programa Giro das 11, na TV 247, junto com o jornalista Mauro Lopes, também editor do 247, e com a professora gaúcha Adriana Araújo. Nós conversamos sobre a entrevista de Jair Bolsonaro ao Roda Viva. Vou só fazer alguns acréscimos à conversa, que vocês podem conferir abaixo.
Creio que seja contribuir pouco para o debate limitá-lo à simples ridicularização do candidato da extrema-direita e de seus simpatizantes. A esquerda não vai eliminar o bolsonarismo da política apenas pela crítica. Ela é necessária, sim, mas tão importante quanto é lançar os olhos a estas pessoas que apoiam Bolsonaro e as asneiras que ele profere. Quem são? onde vivem? O que anseiam?
Não se enganem, seja quem for o próximo presidente, à esquerda, à direita ou à extrema-direita, esta parcela da população terá que ser ouvida. Não estou falando de atender reivindicações contrárias à democracia que Bolsonaro defende. Mas de uma maneira ou de outra essas pessoas precisam ser enxergadas. Caso contrário, o campo progressista pode cair no mesmo discurso totalitário da Guardiania – uma das opções historicamente cogitadas à democracia. Segundo os seus defensores, as pessoas comuns, classificadas como bárbaras e incultas, não têm condições de entender e defender seus próprios interesses, por isso não têm qualificação para governar.
Por isso, recomendo fortemente a leitura deste artigo da Esther Solano, doutora em Ciências Sociais e professora da Unifesp, que fez entrevistas com simpatizantes de Bolsonaro, mapeando os principais elementos de identificação dos eleitores com o discurso do candidato da extrema-direita. Pesquisa fresquinha e super pertinente: http://library.fes.de/pdf-files/bueros/brasilien/14508.pdf. Esther Solano concedeu à TV 247 uma recente entrevista em que fala sobre a pesquisa que realizou. Assista aqui.
Só mais uma coisinha. Comparar Bolsonaro com Hitler é um tanto injusto, embora haja pontos de intersecção entre os dois. Longe de entrar no mérito das atrocidades perpetradas pelo genocida alemão, mas a capacidade intelectual de Hitler não pode ser desprezada. A leitura que ele fez no livro Mein Kampf das sociedades austríaca e alemã dos anos 1920, assoladas pelos efeitos da primeira guerra, tem um fio racional e lógico, que explicitamente carece nos raciocínios de Bolsonaro sobre aspectos elementares da sociedade brasileira.
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