Opinião

Aposentados e segurados, verdadeiros ‘estorvos’

A jornalista Denise Assis afirma em artigo que “numa ginástica mental cruel e demagógica, o editorial da Folha de São Paulo, de hoje, faz que defende o aumento do salário mínimo acima da inflação. Num contorcionismo digno de número circense, o jornal vai desfiando números e argumentos”; “Praticamente reivindicam que os benefícios do INSS parem de…

Aposentados e segurados, verdadeiros 'estorvos'
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Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia – Numa ginástica mental cruel e demagógica, o editorial da Folha de São Paulo, de hoje, faz que defende o aumento do salário mínimo acima da inflação. Num contorcionismo digno de número circense, o jornal vai desfiando números e argumentos. Ao leitor desavisado, parece que se coloca ao lado do trabalhador. Logo se percebe – para espanto, pois o jornal cansa de ser barrado nas coletivas de Bolsonaro – uma bajulação embutida na ideia. O texto vai na linha de descrever o governo como um “coitado”, cheio de boas intenções, mas com sérias “dificuldades” para cumprir a tarefa de conceder salário com algum ganho:

As diretrizes propostas para o Orçamento de 2020 consideram um salário mínimo de R$ 1.040 mensais, o que implica a mera correção inflacionária —sem ganho real. Ainda que esta não deva ser tomada como uma decisão definitiva, o governo Jair Bolsonaro (PSL) tem reduzida margem de manobra para uma política de valorização.”

Neste ponto, chegam onde pretendiam chegar desde o início. Praticamente reivindicam que os benefícios do INSS parem de ser reajustados. São eles, esses “aposentados”, e os segurados o grande problema do Brasil, hoje.

No Congresso, onde a articulação do Planalto se mostra frágil, lideranças partidárias já falam em assegurar um aumento de 1,1% acima do INPC, taxa correspondente à expansão da economia em 2017.

Nessa hipótese, seria seguida a sistemática estabelecida em lei a partir de 2011, que entretanto perdeu a validade neste ano.

Ocorre que a continuidade dessa fórmula se torna cada vez mais proibitiva para os cofres públicos, na medida em que o salário mínimo serve de referência para aposentadorias e pensões, benefícios trabalhistas e assistenciais. Cerca de dois terços dos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebem o piso.”

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Não fossem os aposentados e segurados do INSS, e tudo estaria resolvido. Ignoram que o cuidado com quem dedicou mais de 30 anos, sob sol e chuva a trabalhar pelo país, é previsto na Constituição. Não bastasse este fato, que tanto o mercado, quanto o governo e os tais editorialistas ignoram ou fingem ignorar, na maioria das cidades são os aposentados que sustentam famílias inteiras.

Ou seja, tirem-lhes os ganhos e o consumo, que já anda paralítico, dado o índice monstruoso de desemprego e o arrastar de correntes da economia, e aí, sim, teremos um quadro de pobreza galopante, ou talvez nos aproximemos da realidade chilena, tão cara ao ministro Paulo Guedes, de suicídios crescentes entre os aposentados.

 

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