Ao vetar as manifestações contra o golpe de 31 de março de 64, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu um erro desnecessário, um ponto fora da curva numa biografia ilustrada por uma lição política fundamental na história do país. Ele foi o líder político que, em meio século de vida pública, demonstrou que a luta pelos direitos dos trabalhadores e das camadas inferiorizadas de nossa sociedade é inseparável do combate pela democracia e pelas liberdades.
Sem cometer gestos de covardia, nem estimular atitudes que poderiam ser interpretadas como provocação, Lula soube utilizar as opções disponíveis em cada momento histórico para defender os direitos do andar debaixo. Graças a essa visão fundamental, de natureza transformadora num Brasil acanhado, submetido economicamente ao imperialismo e ideologicamente provinciano, Lula mostrou-se capaz de alcançar um patamar único na história da República.
Combinando crescimento econômico, distribuição de renda e ampliação das liberdades públicas num grau jamais visto em nossa história, ajudou a construir um tripé civilizatório capaz de alimentar o desenvolvimento do país, consolidado pela conquista de um inédito terceiro mandato presidencial — sempre pelo voto popular.
A ocorrência de golpes de Estado e iniciativas semelhantes em várias partes do mundo justifica a reafirmação de valores democráticos que marcam os fundamentos de uma República que já enfrentou tantos ataques covardes no passado, sofrendo derrotas que não podem ser esquecidas, como o 31 de março de 64.
Estimulado por interesses espúrios, ainda hoje o inimigo vive à espreita, à espera de descuidos e oportunidades, como mostra a difícil condição de vários vizinhos de América do Sul, para ficar em exemplos recentes.
Sabemos quem ganhou e quem perdeu no golpe de 31 de março de 64. E é por essa razão que, 60 anos depois, essa data não só não pode ser esquecida, mas precisa ser estudada e discutida por todos os brasileiros e brasileiros, para que nunca mais se repita.
Golpe é crime. Não é opção.
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