Ainda imersa na desorientação provocada pela prisão justa mas tardia de Jair Bolsonaro, a direita no Brasil deveria aproveitar a histórica janela de oportunidade que o país abre e virar a página do extremismo, se reagrupar sob valores condizentes com a democracia. Seria a maior contribuição ao país deste segmento político que tanta destruição provocou pelo menos desde o Golpe de 2016.
Parece uma missão quase impossível, dado o esfacelamento de valores democráticos, iniciado pelo PSDB quando questionou a derrota de Aécio Neves para Dilma Rousseff em 2014. No entanto, se defendemos a democracia, precisamos apoiar o direito ao pensamento contraditório, às posições divergentes da nossa. Esta premissa é a essência da convivência democrática. Aceitar esta máxima, entretanto, está a anos-luz de distância de ser condescendente com o autoritarismo, com a exaltação de valores incompatíveis com a vida, como a negropolítica e idolatria a torturadores, o racismo, a misoginia, a lgbtfobia.
Infelizmente, até o momento não visualizamos no Brasil uma direita comprometida com estes valores democráticos. Que defenda sua visão sem querer se impor pela mentira, pela força ou por apoios externos ao do povo brasileiro.
Não teremos estabilidade institucional enquanto o pensamento antagônico ao da esquerda for dominado por vândalos da democracia, por arruaceiros e charlatões. O Brasil precisa resgatar a política como instrumento de progressos sociais eeconômicos, construir novas formas de forjar consensos, que não envolvam defesa de ditaduras, negacionismo e morte de pessoas.
Chega da política dos sobressaltos e solavancos. É hora de jogar fora a chave da cadeia de Jair Bolsonaro, deixar toda a familicia a cargo da Justiça e seguir adiante rumo a disputas políticas circunscritas nos termos da democracia e da Constituição brasileira.
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