247 – O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passará a operar na faixa de alerta a partir de quarta-feira (1º), após encerrar junho com 39,87% de seu volume útil. A mudança reduz o limite de retirada de água pela Sabesp e acende um sinal de atenção durante o período seco.
Com a entrada na chamada Faixa 3 — Alerta, a Sabesp poderá captar até 27 metros cúbicos por segundo do Cantareira em julho. Em condições de normalidade, a retirada autorizada pode chegar a 33 metros cúbicos por segundo. A alteração ocorre porque o volume armazenado ficou entre 30% e 40% no último dia útil de junho, patamar que determina a operação em regime de alerta no mês seguinte.
O nível do sistema apresentou leve queda em relação ao fim de maio, quando estava em 40,52% do volume útil. A redução ocorre no período seco, que começou em 1º de junho e vai até 30 de novembro, fase em que a gestão das vazões ganha maior relevância para preservar os reservatórios e garantir o abastecimento.
Como medida de mitigação, a Sabesp poderá usar, além dos 27 metros cúbicos por segundo autorizados no Cantareira, eventual vazão transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, desde que respeitado o limite previsto na outorga. A interligação entre a represa Jaguari e a Atibainha funciona desde 2018 e foi criada para reforçar a segurança hídrica da Grande São Paulo.
A entrada na faixa de alerta também reforça a necessidade de ações de gestão da demanda, como redução do consumo, combate a perdas no sistema de abastecimento e estímulo ao uso racional da água. A orientação se estende a outros usuários dos recursos hídricos, com o objetivo de preservar o volume acumulado nos reservatórios.
O Cantareira abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também contribui para o atendimento de Campinas e de áreas das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O sistema é formado por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, eles têm volume útil total de 981,56 bilhões de litros.
Embora os reservatórios estejam integralmente em território paulista, parte das águas que abastecem o sistema vem de rios de domínio da União, por terem nascentes e trechos em Minas Gerais. Por isso, a operação do Cantareira envolve acompanhamento diário de níveis, vazões e armazenamento para orientar decisões sobre o uso da água.
As regras atuais de operação foram estabelecidas após a crise hídrica de 2014 e 2015 e definem limites de retirada conforme o volume acumulado no sistema. O objetivo é dar previsibilidade à operação e ampliar a segurança hídrica tanto para a Grande São Paulo quanto para as Bacias PCJ.
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