(artigo originalmente publicado no Tijolaço)
Mario Vargas Llosa, grande escritor peruano, prêmio Nobel de literatura, é um neoliberal. No entanto, seguindo o caminho oposto de tantos ex-comunistas brasileiros, nos últimos tempos Llosa tem adernado suavemente à esquerda. Tem feito críticas contundentes aos Estados Unidos e elogios a alguns governos progressistas da América Latina.
A gente não reclama tanto dos esquerdistas que se inclinam à direita com o passar do tempo? Então devemos elogiar quando acontece o contrário: quando direitistas admitem o valor de políticas públicas voltadas para os mais pobres e elogiam soluções criativas que enfrentam o status quo.
Llosa nos informa que o Uruguai foi considerado, pela The Economist, “o país do ano”.
O escritor deixa claro sua posição política, fundamentalmente anticomunista; por isso mesmo é interessante testemunhar a sua sinceridade quando rasga elogios entusiásticos ao presidente do Uruguai, Pepe Mujica, um velho comunista corajoso e democrático.
Além disso, Pepe Mujica é coisa nossa. Ascendeu ao poder na onda lulista que varreu toda a América Latina. Os elogios que recebe de um analista tão refinado, apesar de conservador, como Mario Vargas Llosa, são elogios, portanto, a todo o continente, e uma prova de que algumas políticas públicas conseguem ser tão inteligentes que tem o poder de conquistar cidadãos com diferentes visões de mundo.
A esquerda latino-americana vem ganhando um prestígio internacional cada vez maior, porque o mundo está vendo que é aqui, ao sul do Rio Grande, que temos conseguido conciliar valores democráticos, ideais de transformação social, políticas públicas concretas em favor dos mais pobres, e avanços progressistas no campo das liberdades civis e dos costumes.
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