– Pode confessar seus pecados, deputado.
– Não tenho pecados, padre.
– Admita, o senhor mentiu: disse que não tinha contas secretas na Suíça… e elas apareceram.
– As contas que dizem que são minhas são de empresas internacionais das quais não sou o dono. Se não sou o dono não são minhas, certo? Nem falo inglês…
– Mas o senhor é o beneficiário…
– Aí já é perseguição! O que eu posso fazer se essas empresas me fizeram beneficiário das contas delas? Só agradecer a Deus. Aleluia!
– E o dinheiro? Milhões de dólares! Como foi parar nessas contas? O senhor roubou. Confesse e será perdoado.
– Não roubei nada. Depositaram o dinheiro porque quiseram.
– Depositaram? O senhor não sabe quem depositou?
– Meu pai sempre falou: se alguém te oferece dinheiro não pergunte por que, nem de onde veio, pegue. Eu sou da paz. Detesto violência. Não apontei arma para ninguém. Se eu tirasse de alguém à força haveria um B.O. Cadê o B.O.?
– E os seus carros de luxo? Salário de deputado não paga um Porshe!
– Não são meus. São de Jesus.com.
– A sua mulher usa.
– Ela é a beneficiária. Glória a Jesus!
– Por que o senhor não declarou à Receita o dinheiro que lhe deram e os carros?
– Não gosto de ostentar. É perigoso. Tá assim de ladrão em Brasília.
– Se não tem nada para confessar o que o senhor veio fazer aqui?
– Já que o senhor tocou no assunto… teria uma pequena contribuição para a minha campanha de reeleição?
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