247 – Um dos nomes na lista dos Estados Unidos para sanções contra brasileiros e empresas por suposto elo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) é o de Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como sócio de empresa investigada em um esquema de patrocínio no futebol brasileiro. Ele é descrito pelo governo norte-americano como “elo fundamental” com integrantes do PCC e teria participado da lavagem de mais de US$ 30 milhões em cidades dos Estados Unidos. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (1) pelo Metrópoles.
Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, identificada como parente de Shimada. Segundo o Departamento do Tesouro, ela atuaria como “secretária” e intermediária na movimentação de grandes volumes de dinheiro, além de prestar “serviços logísticos essenciais” à rede investigada.
Empresas incluídas na lista
As medidas atingem três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa. São elas:
- Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda.
- Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.
- Wave Construções Inteligentes Ltda.
- Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda. (Portugal)
O governo norte-americano afirma que a Victory Trading teria sido utilizada para movimentar recursos de origem ilícita ligados a um clube de futebol brasileiro. Em comunicado, a instituição declarou: “Victory foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária”.
Investigação e conexões com o futebol
Sem citar diretamente o Corinthians, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos relaciona o caso à prisão de Victor Shimada pela Polícia Federal em janeiro de 2025. Ele é investigado por suposto envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ligado a patrocínios no futebol brasileiro.
Segundo apuração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), a Victory Trading teria realizado um repasse de R$ 200 mil à empresa UJ Football Talent Intermediação. Parte dos recursos teria sido direcionada à Neoway Soluções, registrada em nome de terceiros.
PCC e CV passam a ser classificados como FTO
Em 5 de junho, o governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A decisão foi assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio e altera o enquadramento jurídico das facções perante o sistema internacional.
Com a nova classificação, as organizações deixam de ser tratadas apenas como grupos criminosos locais ou redes de narcotráfico. A medida amplia o alcance de ações de inteligência e segurança dos Estados Unidos no rastreamento de operações financeiras e redes de apoio fora do território norte-americano.
O enquadramento também estabelece punições mais rígidas para indivíduos e empresas que ofereçam suporte às facções, além de restrições migratórias previstas na legislação norte-americana. A partir disso, o governo dos Estados Unidos reforça mecanismos de bloqueio financeiro e cooperação internacional no combate às redes associadas ao PCC e ao Comando Vermelho.
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