247 – Os Estados Unidos detalharam os efeitos de sanções contra brasileiros ligados ao PCC, em decisão anunciada nesta quarta-feira (1º), para tratar das medidas aplicadas pelo Departamento do Tesouro estadunidense. A ação atinge dois cidadãos brasileiros e quatro empresas, incluindo uma sediada em Portugal, sob acusação de ligação com a facção Primeiro Comando da Capital. As informações foram publicadas no Metrópoles.
As sanções foram aplicadas com base nas Ordens Executivas nº 13.224 e nº 14.059. A primeira trata de medidas contra pessoas e organizações ligadas ao terrorismo. A segunda estabelece punições relacionadas ao tráfico internacional de drogas.
Entre as restrições impostas pelo governo dos EUA estão bloqueio de bens e ativos sob jurisdição estadunidense, proibição de transferências financeiras envolvendo instituições dos EUA, impedimento de concessão de crédito por empresas norte-americanas e restrição a operações de câmbio sob jurisdição dos Estados Unidos
veto a investimentos ou compra de ativos ligados aos sancionados
As regras também determinam que qualquer violação pode gerar sanções civis ou criminais a cidadãos e instituições dos Estados Unidos ou de outros países.
Entre os nomes atingidos estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Shimada é apontado pelas autoridades norte-americanas como responsável por movimentações financeiras ligadas ao PCC, com suspeita de lavagem de mais de US$ 30 milhões em território norte-americano.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é citada como associada próxima e familiar de Shimada. Segundo o governo dos Estados Unidos, ela atuaria como intermediária na coleta de valores e na logística de operações financeiras atribuídas ao grupo investigado.
Também foram incluídas na lista as empresas: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.
Wave Construções Inteligentes Ltda., e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda. (Portugal).
Acusações e narrativa do governo norte-americano
Segundo o Tesouro americano, os alvos das sanções estariam envolvidos em atividades como tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias e lavagem de dinheiro em operações internacionais ligadas ao PCC.
As autoridades norte-americanas afirmam que Shimada teria participado de um esquema que movimentou mais de US$ 30 milhões em diferentes cidades dos Estados Unidos, com uso de criptomoedas para transferências internacionais.
O governo dos EUA também sustenta que as empresas citadas seriam controladas ou administradas por Shimada, com atuação direta na estrutura financeira investigada.
Em relação a Stella Stefanie, o Departamento do Tesouro afirma que ela atuaria como colaboradora próxima, responsável por apoio logístico e intermediação de valores em espécie dentro da rede apontada.
As sanções ganham força após a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC como Organização Terrorista Estrangeira (FTO), medida que ampliou o alcance de ações financeiras e de inteligência contra o grupo.
A mudança de status permite ao governo norte-americano intensificar bloqueios de ativos, ampliar cooperação internacional e aplicar punições mais severas a indivíduos e empresas suspeitas de apoio às organizações listadas.
As medidas fazem parte da estratégia de contenção de redes transnacionais ligadas ao crime organizado, com foco em fluxo financeiro, uso de criptomoedas e movimentações fora do sistema bancário tradicional.
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