Ao bater a campainha da casa daquele senhor, naquela manhã quente de primavera, numa casa na Bela Vista, fiz uma viagem no tempo. Um sorridente Sérgio Mamberti abriu a porta, ofereceu café. Percebi que seu cantinho tinha muito do castelo do Dr. Victor. Cores, cores, cores, muita arte, vida pulsante.
Senti por algum momento aquele frio na barriga da criança que esperava ansiosamente o Nino abrir a porta do castelo. Mas, ao abrir seu “castelo”, o generoso Mamberti falou sobre a vida real. De uma entrevista contra o golpe de 2016, o papo se transformou em relatos sobre a sua vida. Não sei o porquê ao certo, o que mais me marcou, foi seu relato de infância.
“No porto de Santos, milhares saíram às ruas para celebrar o fim da Segunda Guerra Mundial. Estranhos se abraçavam, música, buzinas, sinos. Uma alegria que não consigo descrever com palavras. Engraçado que eu era menino, mas lembro de cada cor, cada detalhe, cada movimento. Foi um dia inesquecível”, contou.
Saí daquele lugar com a certeza de que eu fui presenteada com um raro encontro. Daqueles que só acontecem uma vez na vida.
Sérgio, obrigada por iluminar a vida de milhares de brasileiros com a sua lucidez, genialidade nos palcos, ativismo em defesa dos mais pobres. Você deixará uma lacuna imensa. Obrigada por compartilhar comigo alguns trechos da sua vida. Vá em paz!
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