Opinião

Maduro: 51% a 44%

Vitória de Maduro já enfrenta um ritual previsível em uma situação de divisão política e interesses contrariados

Nicolás Maduro
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Em uma opinião clara e direta sobre as eleições venezuelanas, a candidata democrata à presidência dos EUA, Kamala Harris, divulgou uma nota importante tanto pelo que disse quanto pelo que deixou de dizer. Em tradução do Google, o texto diz o seguinte:

“Os Estados Unidos apoiam o povo da Venezuela que expressou a sua voz nas históricas eleições de hoje. A vontade do povo deve ser respeitada. Apesar dos muitos desafios, continuaremos a trabalhar em prol de um futuro próspero e seguro para o povo da Venezuela.”

A manifestação de Kamala, ao se referir a “históricas eleições”, em plena disputa pela Casa Branca, tem óbvia importância pelo papel relevante que o governo dos EUA costuma assumir na definição dos destinos latino-americanos. Não se trata de um caso isolado.

Cumprindo missão em Caracas por determinação de Lula, Celso Amorim divulgou uma nota diferente pela origem, mas em tom semelhante:

“Estou acompanhando de perto o processo eleitoral venezuelano. Ainda há mesas de votação abertas. É motivo de satisfação que a jornada tenha transcorrido com tranquilidade, sem incidentes de monta. Houve participação expressiva do eleitorado”.

Como é de se esperar em situações conflituosas dessa natureza, a oposição venezuelana divulgou suas próprias estimativas, com números que indicavam vitória de seus candidatos.

Mais organizados e ativos, os aliados de Maduro deram o tom na apuração. À 1 hora e 31 da madrugada, o jornalista Breno Altman postou: “Com 51% dos votos, Maduro vence as eleições e é reeleito presidente da Venezuela”.

Confirmada pelo órgão eleitoral do país, com 51% dos votos contra 44% do segundo colocado, a vitória de Maduro já enfrenta um ritual previsível em uma situação de divisão política e interesses contrariados. O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou que não irá reconhecer o resultado. O presidente chileno, Gabriel Boric, reagiu no mesmo tom. A luta continua.

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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