Opinião

NOVA ARMADILHA PARA DILMA

Agora que se comprovou que tivemos a Copa das Copas, surge uma nova armadilha para Dilma Rousseff: cobrar providências para que ela arrume o futebol brasileiro.

Vamos combinar: o último presidente que se aventurou nessa seara foi Fernando Henrique Cardoso,que convocou Pelé para Ministro dos Esportes. O fiasco foi tão grande que todos saíram de fininho e não se falou mais nisso.

Outro caso notável, do economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, envolveu uma tentativa de arrumar o Palmeiras. A opinião geral é que, como cartola de clube, Belluzzo mostrou que é um ótimo economista e um ótimo sujeito. No futebol, é um fanático com ótimas intenções.

Um governo, qualquer governo, pode e deve ser cobrado por sua atuação política-administrativa. Pode propor medidas de estimulo ao esporte e ao bem-estar da população. Não precisa dar respostas de bolso de colete ao estranho mundo do futebol profissional, com seus billhões, máfias e transações sem nenhuma transparência. Neste caso, estamos falando de um mundo de negócios privados. Cabe ao Estado defender a lei — como acontece de modo exemplar e inédito com a investigação sobre a máfia dos ingressos — e impedir abusos contra o cidadão-torcedor.

O governo brasileiro agiu corretamente na Copa de 2014 que, conforme os internautas da BBC inglêsa, terminou assim:

39% acham que o Brasil fez a melhor copa da história

10,5% preferem a Italia

8,4% preferem a França

8,1% preferem a Alemanha

É por isso que agora se pede a Dilma que dê palpites para arrumar o futebol. Pura casca de banana.

Num ano eleitoral, a Copa das Copas, que foi apresentada como um fiasco inevitável transformou-se num sucesso tão grandioso que os adversários só podem tentar esconder. Será que um dia iremos lembrar a lista daqueles políticos e jornalistas que pediram o cancelamento da Copa?

Sem a menor necessidade de mostrar intimidade com o mundo das chuteiras, a presidente poderia perfeitamente driblar questões dessa natureza.

Quando faltam pouco mais de dois meses para a sucessão presidencial, cobrar providências para o futebol brasileiro é uma tentativa – tosca e marota –de associar o governo ao desempenho da seleção. É trazer a derrota em campo — onde ela não joga — para a vitória fora dele, no qual foi autoridade máxima.

O nome disso é marketing.

Em breve vão perguntar a presidente por que ela não pediu a CBF que tirasse o Felipão, levando o sósia junto. Ou porque não sugeriu a saída do Fred já no segundo jogo. Ou porque não mandou uma lei revolucionária para o Congresso. Ou porque não tirou o vilão da vez — sempre um cartola, claro — quando era tempo.

O último presidente que se envolveu diretamente nessa seara foi um ditador, Emilio Médici. Chegou ao ponto de pedir a escalação de Dario, numa linha que tinha Jairzinho, Greson, Pelé, Tostão e Rivelino.

Não foi ouvido – mesmo falando com ajuda do AI-5. Ainda bem. O país foi tri-campeão.

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Cortes 247

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