247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lucrou mais de US$ 1 bilhão com criptomoedas em seu primeiro ano de volta à Casa Branca, segundo relatório financeiro obrigatório referente a 2025. De acordo com a BBC, o documento de 927 páginas revela que os ganhos com ativos digitais passaram a superar com ampla margem as receitas tradicionais de seus empreendimentos imobiliários e clubes de golfe.
A apuração da BBC, assinada pelos repórteres Kali Hays e Peter Hoskins, aponta que Trump declarou US$ 635 milhões em royalties relacionados a uma moeda comemorativa inspirada em seu nome e imagem. O ativo digital, lançado poucos dias antes de sua posse, perdeu valor desde então, mas ainda assim gerou uma das maiores fontes de receita listadas pelo presidente.
Outro ponto de destaque no relatório é a renda superior a US$ 500 milhões atribuída à World Liberty Financial, empresa de criptomoedas fundada por filhos de Trump e por filhos de Steve Witkoff, enviado especial do governo norte-americano. A divulgação reforça o peso crescente do setor cripto na fortuna do atual presidente dos Estados Unidos.
A Casa Branca negou que exista conflito de interesses ou que Trump esteja lucrando com o cargo. A vice-secretária de imprensa Anna Kelly afirmou que o presidente transformou os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas” e declarou: “Nem o presidente nem sua família jamais se envolveram – ou jamais se envolverão – em conflitos de interesse”.
Kelly também criticou a cobertura sobre os negócios do presidente. “Todas as ações do presidente Trump e de sua administração são tomadas no melhor interesse do povo americano – e quaisquer supostos ‘repórteres’ que afirmem o contrário estão reciclando a mesma narrativa falsa e desgastada que os democratas e a grande mídia vêm propagando há uma década”, disse.
O próprio Trump já ressaltou que não está submetido às leis federais de conflito de interesses. Antes de se aproximar da indústria cripto, o presidente havia feito críticas públicas ao setor, chegando a chamar o Bitcoin de “fraude” e de “desastre iminente”.
A declaração financeira mostra uma mudança expressiva no perfil de receitas do republicano. Em 2024, Trump havia informado renda superior a US$ 600 milhões. No relatório mais recente, os ganhos com criptomoedas aparecem em patamar muito acima do faturamento de negócios que historicamente sustentaram sua marca pública.
Entre os ativos tradicionais, Trump declarou cerca de US$ 77 milhões em receita com o clube Mar-a-Lago, na Flórida, e US$ 122 milhões com o clube de golfe em Doral, também no estado. Outros clubes, como os de Bedminster, em Nova Jersey, Jupiter, na Flórida, e Turnberry, na Escócia, renderam mais de US$ 30 milhões cada um.
O presidente também registrou ganhos milionários com produtos licenciados com a marca Trump. O relatório lista US$ 4,7 milhões em royalties de relógios, além de receitas ligadas à venda de Bíblias, tênis, fragrâncias e guitarras associadas ao nome do republicano.
A primeira-dama Melania Trump também aparece na declaração financeira com receitas próprias. Ela informou US$ 10,7 milhões provenientes de um contrato de licenciamento relacionado a um documentário sobre sua trajetória, lançado no ano passado. Outros US$ 6 milhões foram atribuídos à venda de NFTs, imagens digitais comercializadas pela internet.
O documento ainda aponta US$ 86,5 milhões em receitas de acordos judiciais envolvendo diferentes processos. Entre os valores listados estão US$ 16 milhões de uma ação contra a ABC, US$ 16 milhões de CBS Broadcasting e CBS Interactive, US$ 24,5 milhões da Meta, US$ 22 milhões do YouTube e US$ 8 milhões do X. A Casa Branca afirma que a maior parte desses recursos foi destinada à futura biblioteca presidencial de Trump ou a uma organização sem fins lucrativos voltada à manutenção de parques na região de Washington.
O crescimento da fortuna do presidente também aparece em levantamentos de mercado. Segundo a Forbes, Trump tem patrimônio estimado em US$ 6 bilhões, ante US$ 2,3 bilhões em 2024. Já o índice de bilionários da Bloomberg calcula sua fortuna em US$ 7,6 bilhões.
Desde que voltou ao poder, Trump adotou uma postura favorável à indústria de criptoativos, ao mesmo tempo em que empresas ligadas à sua família passaram a emitir tokens digitais. A Securities and Exchange Commission, principal regulador financeiro dos Estados Unidos, também passou a ser comandada por Paul Atkins, indicado por Trump e visto como aliado do setor.
Atkins assumiu o órgão em abril de 2025 e mudou a orientação da SEC em relação à política mais dura de regulação por meio de ações de fiscalização adotada pela gestão anterior. Em julho, Trump sancionou o GENIUS Act, apresentado por sua administração como uma iniciativa para tornar os Estados Unidos “o líder indiscutível em ativos digitais”.
Com mais de 900 páginas, a declaração financeira de Trump é muito mais extensa do que a de presidentes anteriores. Como comparação, o relatório financeiro de Joe Biden referente a seu último ano completo no cargo tinha 11 páginas.
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