247 – Pelo menos 191 milhões de pessoas devem enfrentar temperaturas acima de 35°C na Europa neste domingo (28), em uma onda de calor que atinge com mais força Alemanha, Polônia, Hungria e República Tcheca.
Segundo cálculos divulgados pela AFP, o número representa uma leve queda em relação ao sábado (27), quando um modelo meteorológico indicava que ao menos 193 milhões de pessoas estariam expostas a marcas superiores a 35°C. Ainda assim, a extensão do fenômeno mantém grande parte do continente sob temperaturas perigosamente altas.
No total, mais de 381 milhões de pessoas na Europa, sem considerar a Turquia, devem viver neste domingo sob máximas acima de 30°C. No sábado (27), esse contingente havia superado 400 milhões, segundo a mesma metodologia.
A previsão indica que praticamente toda a Polônia, a Hungria e a República Tcheca terão temperaturas acima de 35°C. Na Alemanha, cerca de 42 milhões de pessoas devem ser atingidas por esse patamar, especialmente em grandes áreas do país, incluindo Berlim.
A onda de calor também alcança Eslováquia, Sérvia, Croácia, Itália, Áustria e o oeste da Ucrânia. Na França continental, onde a expectativa é de suspensão do alerta vermelho ainda na noite de domingo (28), aproximadamente 11 milhões de pessoas devem ser afetadas pelas temperaturas extremas.
A análise foi elaborada a partir de previsões do Deutscher Wetterdienst, o serviço meteorológico alemão, combinadas com projeções populacionais de 2025 do Joint Research Center. O método segue parâmetros semelhantes aos utilizados pela ONG austríaca Klimadashboard, que mantém o monitor “European Heat Tracker”.
Para chegar aos números, os pesquisadores cruzaram dados de densidade populacional com o modelo de previsão do tempo processado às 3h GMT, meia-noite no horário de Brasília. Uma área entra na contagem quando o modelo indica temperaturas superiores a 30°C ou 35°C naquele ponto.
A própria metodologia, no entanto, pode não captar integralmente a dimensão do problema nas grandes cidades. Como o modelo tem resolução aproximada de 6,5 quilômetros, ele não registra com precisão todas as ilhas de calor urbanas, fenômeno que costuma elevar ainda mais a temperatura em áreas densamente povoadas.
David Jablonski, da Klimadashboard, afirmou à AFP que essa limitação pode reduzir a estimativa real de pessoas expostas. Segundo a organização, a análise “provavelmente subestima o número de pessoas afetadas em áreas urbanas densamente povoadas”.
A nova onda de calor ocorre em um contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes no continente europeu, onde serviços meteorológicos nacionais vêm ampliando alertas para riscos à saúde, pressão sobre redes de energia e impactos sobre populações vulneráveis.
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