Lula diz que Mercosul é “necessidade estratégica” e defende aproximação com a China

Presidente afirmou que Mercosul é necessidade estratégica em meio à instabilidade global e defendeu ampliar acordos com China, Japão e Índia

Lula e Xi Jinping
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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30) que o Mercosul é uma “necessidade estratégica” diante de um cenário internacional marcado por guerras, protecionismo, instabilidade econômica e disputas geopolíticas. A declaração foi feita durante discurso na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, onde Lula também defendeu a aproximação do bloco com a China, o Japão, a Índia e outros mercados considerados dinâmicos.

No discurso aos chefes de Estado reunidos na Cúpula do Mercosul, Lula disse que a integração regional ganhou ainda mais importância em um mundo “profundamente transformado”. “Rivalidades geopolíticas crescem, o unilateralismo ganha força. Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global e elevam os preços dos alimentos e da energia”, afirmou o presidente brasileiro.

Lula também criticou o avanço do protecionismo e associou a fragmentação da economia mundial a riscos para o comércio, os investimentos e o desenvolvimento sustentável. Segundo ele, a resposta do bloco deve ser ampliar sua presença internacional e fortalecer os mecanismos de integração entre os países sul-americanos.

“Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”, declarou. O presidente destacou que, desde a criação do bloco, o comércio entre os países membros passou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 50 bilhões em 2025. Ele afirmou ainda que, no ano passado, o intercâmbio do Mercosul com o restante do mundo cresceu mais de 100% em relação a 2024 e alcançou quase US$ 770 bilhões.

Ao tratar da agenda externa do bloco, Lula disse que o Mercosul voltou a atuar com ambição no cenário internacional. “Contrariamos as expectativas de quem acreditava que o acordo com a União Europeia jamais sairia do papel”, afirmou.

O presidente também citou avanços nas conversas com Canadá, Índia e Vietnã, além do lançamento de negociações para uma parceria econômica com o Japão durante a cúpula. Em seguida, defendeu que o bloco avance em direção à China. “Em breve, queremos fazer o mesmo com a China, e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, disse Lula.

Apesar da defesa de maior integração às cadeias globais de valor, Lula afirmou que o Mercosul precisa produzir efeitos concretos na vida da população. Ele citou o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), que, segundo o presidente, já financiou mais de 1 mil quilômetros de rodovias, 680 quilômetros de ferrovias, 750 quilômetros de linhas de transmissão elétrica e 100 quilômetros de redes de saneamento básico.

Lula defendeu o lançamento do Focem 2 e afirmou que o Brasil está disposto a ampliar sua contribuição ao fundo com aportes de US$ 100 milhões anuais ao longo de uma década. Para o presidente, a incorporação da Bolívia ao mecanismo será uma medida adicional para reduzir desigualdades dentro do próprio bloco.

O presidente também mencionou o programa Rotas da Integração Sul-Americana, iniciativa voltada a conectar o interior do continente a portos no Pacífico, no Atlântico e no Caribe. Segundo Lula, a proposta busca ampliar a infraestrutura regional e facilitar o escoamento da produção sul-americana.

Outro eixo destacado foi a hidrovia Paraguai-Paraná, apontada por Lula como um dos pilares da integração física do Mercosul. O presidente afirmou que a via transporta anualmente quase 100 mil toneladas de cargas e deve seguir como parte central da estratégia de conexão logística entre os países da região.

Ao defender uma atuação mais coordenada do bloco, Lula buscou apresentar o Mercosul como instrumento de proteção econômica, expansão comercial e desenvolvimento regional em meio a um ambiente internacional mais instável e competitivo. 

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