Thiago Ávila: “não podemos ter medo de defender a causa palestina”

Pré-candidato pela REDE defende levar ao Congresso uma bancada anti-imperialista e ligada à solidariedade internacional

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247 – O ativista e pré-candidato a deputado federal pela REDE Sustentabilidade Thiago Ávila afirmou, em entrevista ao Bom Dia 247, que sua entrada na disputa eleitoral tem como eixo central a defesa da causa palestina e a necessidade de transformar essa pauta em força política organizada no Congresso Nacional.

Segundo Ávila, a candidatura nasce em um momento em que a solidariedade ao povo palestino deixou de ser apenas uma posição internacionalista e passou a integrar, em sua avaliação, a disputa pela soberania brasileira. Para ele, defender a Palestina no Brasil também significa enfrentar pressões externas, interesses ligados ao sionismo e tentativas de criminalizar movimentos de solidariedade.

“Não podemos ter medo de defender a causa palestina”, afirmou. O ativista disse que setores da esquerda o procuraram para argumentar que sua candidatura poderia ajudar a demonstrar que o apoio à Palestina não deve ser tratado como risco político. “No Brasil, nós precisamos demonstrar que defender a Palestina não é algo que as pessoas devem ter medo. É, ao contrário, algo que vai ser reconhecido e valorizado pelas pessoas”, declarou.

Ávila relatou que, antes de aceitar a pré-candidatura, estava concentrado nas missões da flotilha internacional em apoio a Gaza. Ele afirmou que a experiência reforçou sua convicção de que a omissão diante de um genocídio cria uma situação de impunidade com efeitos internacionais. “Não agir diante de um genocídio cria uma situação de impunidade que depois se alastra”, disse.

O pré-candidato defendeu a formação de uma bancada no Congresso comprometida com a luta anti-imperialista e com a solidariedade ao povo palestino. Para ele, mandatos ligados diretamente aos movimentos sociais podem atuar de forma diferente de parlamentares que apenas apoiam determinadas causas. “Nós precisamos ter uma bancada anti-imperialista, pró-Sul Global, no Congresso. Nós precisamos derrotar os interesses do sionismo e do imperialismo”, afirmou.

Ávila citou outras candidaturas alinhadas à causa palestina e disse que pretende contribuir para uma articulação nacional. Ele mencionou a importância de candidaturas orgânicas, ligadas a comunidades, movimentos e trajetórias de militância. “É muito diferente ter mandatos orgânicos do movimento”, afirmou. “A gente não vai precisar pedir e convencer o apoio a Cuba contra o bloqueio, nem convencer da necessidade de integração latino-americana ou de lutar as lutas do Sul Global.”

Na entrevista, o ativista também afirmou que um eventual mandato serviria como instrumento de proteção e estrutura para a militância. Segundo ele, as ameaças e restrições enfrentadas em sua atuação internacional levaram aliados a defenderem a necessidade de ampliar sua segurança institucional. “O mandato traz estrutura para lutar”, disse. “Não no sentido de favorecimento pessoal, mas traz estrutura para lutar.”

Ávila criticou iniciativas que, segundo ele, buscam associar críticas a Israel ao antissemitismo. Para o pré-candidato, o Brasil tem obrigações internacionais que impedem cumplicidade com crimes contra a população palestina. “Não só não deve ser ilegal criticar Israel, não pode ser ilegal. É um dever de todo brasileiro criticar o que Israel faz”, afirmou.

Ele também disse que pretende atuar no Congresso contra qualquer tentativa de submeter o país a interesses externos. “Nós vamos assumir uma postura profundamente combativa a qualquer tentativa de submeter o nosso país, de estrangular o nosso país, de comprometer a nossa soberania, de comprometer a nossa autodeterminação”, declarou.

Para Ávila, a disputa eleitoral não se resume ao voto, mas pode funcionar como ponto de organização política. Ele afirmou que não vê o Parlamento como solução isolada, mas como uma trincheira de luta vinculada à mobilização popular. “Sempre acreditei que mandatos são instrumentos de luta que devem ser potencializadores da mobilização para ecoar dentro daquele espaço as lutas que estão acontecendo lá fora”, disse.

Ao defender sua pré-candidatura, Thiago Ávila afirmou que o objetivo não é apenas conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas fortalecer uma rede de militância em torno da causa palestina, da soberania nacional e da solidariedade internacional. “O propósito dessa candidatura é servir à luta dos povos”, concluiu.

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