“Festa da astronauta”: como foi a balada de Vorcaro que colocou mais lenha na fogueira entre Michelle e Flávio Bolsonaro

O impacto político da festa não se limita ao constrangimento moral

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Uma festa promovida em Nova York por Daniel Vorcaro, dono do banco Master, voltou ao centro da crise política que envolve Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, ambos do PL, em meio à disputa pela herança eleitoral do bolsonarismo e às preocupações sobre a exposição de aliados do grupo. A informação foi publicada pela coluna de Daniela Lima, no UOL.

O episódio ganhou nova força nos bastidores de Brasília depois que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, do Republicanos, publicou um vídeo afirmando ter visto registros que poderiam comprometer políticos que, em seu relato, hoje dizem “defender a família”. Michelle Bolsonaro compartilhou a publicação em meio ao embate público com Flávio Bolsonaro e escreveu: “A verdade de Jesus vai prevalecer”.

O caso ocorre em um momento delicado para Flávio, pré-candidato à Presidência da República. A relação entre o senador e Vorcaro já havia se tornado alvo de desgaste político após a revelação de que o banqueiro destinou mais de R$ 60 milhões, a pedido de Flávio, para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi publicada inicialmente pelo Intercept Brasil.

A chamada “festa do astronauta” teria ocorrido em 2024, durante uma semana de eventos em Nova York frequentada por nomes da elite financeira e política brasileira. A programação reunia seminários, encontros de negócios e agendas voltadas ao Brasil, mas as festas patrocinadas por Vorcaro chamaram atenção pelo porte, pelo luxo e pela presença de políticos e representantes do mercado financeiro.

De acordo com Daniela Lima, a coluna investigou por quase dois meses relatos sobre as noites bancadas pelo dono do banco Master. O levantamento aponta que os eventos não se limitaram a uma única festa: teriam sido ao menos três dias de encontros privados, com repercussão suficiente para esvaziar agendas concorridas da mesma semana, incluindo um prêmio da Forbes.

A alcunha de “festa dos astronautas” surgiu porque dançarinas teriam circulado pelo salão usando macacões prateados e capacetes de astronauta. O evento ocorreu em um salão localizado em uma avenida luxuosa de Nova York. Ainda segundo os relatos reunidos pela coluna, mulheres, em sua maioria estrangeiras, precisavam deixar os celulares do lado de fora para entrar no local, enquanto os homens não eram submetidos à mesma regra.

A presença de figuras da política e do mercado financeiro ampliou a repercussão do caso. Políticos ligados ao centrão estiveram entre os convidados que passaram pelos eventos. As relações de Vorcaro com partidos e lideranças políticas já foram alvo de apurações da Polícia Federal, o que aumenta o peso político da nova crise nos bastidores de Brasília.

As festas também chamaram atenção pelo padrão de consumo. Entre as bebidas servidas, segundo a coluna, estavam rótulos de alto valor, como uísque Macallan e champanhe Dom Pérignon. As descrições reforçam a imagem de ostentação associada aos eventos organizados pelo banqueiro.

A reportagem afirma ainda que havia elementos de caráter fetichista na dinâmica da festa. Um dos relatos mencionados pela coluna aponta que, quando um homem se aproximava do bar, as mulheres deixavam de ser atendidas até que o convidado masculino fosse servido. Ainda assim, as fontes ouvidas pelo UOL que estiveram em ao menos uma das noites não relataram nudez de dançarinas, diferentemente do que foi dito por Garotinho em sua publicação.

A coluna também registra que ouviu três pessoas presentes no evento de Vorcaro e outras duas que estavam em Nova York naquela semana. As três fontes que detalharam a festa estiveram no local no mesmo dia. Segundo o UOL, nesse dia específico não há registro da presença de qualquer pré-candidato à Presidência no evento.

A reabertura do assunto agrava o desgaste interno no bolsonarismo. Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro protagonizaram uma disputa pública que expôs divergências dentro do grupo político. O compartilhamento da publicação de Garotinho pela ex-primeira-dama foi interpretado nos bastidores como mais um sinal de que o episódio passou a ser usado como munição na disputa pelo comando político da direita bolsonarista.

Para aliados de Flávio, o caso adiciona pressão sobre uma pré-campanha já afetada pela revelação do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Para o entorno de Michelle, a repercussão fortalece questionamentos sobre a capacidade do senador de unificar o campo bolsonarista em meio a desgastes sucessivos.

O impacto político da festa não se limita ao constrangimento moral. A associação entre lideranças públicas, empresários sob escrutínio e eventos privados de alto luxo alimenta disputas internas e amplia a preocupação com eventuais registros de imagem feitos durante as noites em Nova York. A existência ou não de vídeos comprometedores tornou-se um dos pontos centrais das conversas reservadas em Brasília.

No momento, a crise segue concentrada nos bastidores do PL e do entorno da família Bolsonaro. A disputa entre Michelle e Flávio, porém, ganhou novo componente com a volta da “festa do astronauta” ao debate político, em um cenário no qual a pré-campanha presidencial do senador tenta conter danos e evitar que o episódio avance sobre outros aliados do bolsonarismo.

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