247 – O diretor da CIA, John Ratcliffe, comparou ferramentas de ofensiva cibernética baseadas em inteligência artificial a “armas nucleares digitais”, em discurso realizado na terça-feira (30), em Washington, durante evento da cúpula da Amazon Web Services.
As informações foram publicadas pela RT Brasil. Segundo Ratcliffe, essas tecnologias podem intensificar as rivalidades entre potências globais e elevar o grau de risco nas disputas estratégicas entre os Estados Unidos e seus adversários.
O chefe da agência de inteligência americana afirmou que as ferramentas de IA “apenas continuarão a elevar as apostas em nossa competição com todos os adversários da América”. A declaração reforça a percepção, dentro do aparato de segurança dos EUA, de que a inteligência artificial se tornou um elemento central da disputa geopolítica contemporânea.
Ratcliffe também acusou nações rivais de trabalharem para “roubar e manipular os avanços da América para seus próprios fins e ganhos”. A fala indica que Washington vê a IA não apenas como uma tecnologia econômica, mas como uma plataforma estratégica com impacto direto em inteligência, defesa, espionagem e operações cibernéticas.
A comparação com “armas nucleares digitais” chama atenção para o potencial destrutivo de sistemas de IA aplicados à guerra cibernética. Em um cenário de crescente tensão entre potências, ferramentas capazes de automatizar ataques, ampliar vigilância, manipular dados ou acelerar decisões militares passam a ser tratadas como instrumentos de poder comparáveis, em sua lógica de dissuasão e risco, às armas estratégicas do século XX.
O alerta do diretor da CIA ocorre em meio ao avanço do uso militar da inteligência artificial pelos Estados Unidos. Em meados de junho, Cameron Stanley, chefe de inteligência artificial e digital do Departamento de Guerra dos EUA, afirmou que o modelo Grok, de Elon Musk, integra a máquina de guerra americana e foi usado na operação contra o Irã.
Além do Grok, o Pentágono também mantém vínculos com modelos de IA da empresa Anthropic. De acordo com as informações fornecidas, a relação da companhia com o governo Trump passou a ser alvo de atenção após rumores sobre o uso do Claude, produto de IA generativa da Anthropic, na operação militar que bombardeou a Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026.
Mais recentemente, fontes apontaram que a Anthropic estaria ajudando a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a NSA, a implantar o modelo Mythos para operações cibernéticas ofensivas.
O discurso de Ratcliffe reforça que a inteligência artificial já deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade ou inovação tecnológica. No centro do poder americano, ela é tratada como peça decisiva da nova corrida militar, capaz de redefinir a espionagem, a guerra cibernética e o equilíbrio entre grandes potências.
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