Chorei litros com o depoimento da Daiane dos Santos sobre a vitória da Rebeca, do exemplo que é uma menina pobre e negra de Guarulhos ser a segunda melhor do mundo.
Daiane, essa que relatou recentemente que participou de competições em que pessoas não usavam o mesmo banheiro que ela, que sofria racismo à luz do dia.
“Comigo, houve situações na seleção, nos clubes, de pessoas que não queriam ficar perto, que não queriam usar o mesmo banheiro! Aquele tipo de coisa que nos faz pensar: opa, voltamos à segregação. Banheiros para brancos e banheiros para pessoas de cor. Teve muito isso dentro da seleção. E além da questão da raça, tem a questão de vir do sul, de não ser do centro do país, de ter origem humilde. Ou seja: ela é tudo o que a gente não queria aqui”, disse Daiane.
Imagine a cena: a garota toda concentrada para uma competição descobre que algumas “pessoas” ali não usam o mesmo banheiro que o dela. Imaginem a dor dessa garota. A angústia.
Exemplos de racismo não faltam entre os atletas brasileiros. Vale lembrar de Arthur Nory, que disparou em 2015 ofensas racistas contra o também ginasta Ângelo Assumpção, que é negro.
Nory, que competiu nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e foi eliminado, declarou que sua desclassificação nos jogos foi em parte por conta do abalo pela repercussão negativa que sofreu nas redes, apontado como racista pelos internautas.
Poxa, Nory, como os internautas devem chamá-lo: ativista das massas contra o preconceito?
Assim como Daiane, aos poucos os atletas estão abrindo para o público que o racismo existe sim, seja nas quadras, nos campos ou ginásios e o quanto essa prática horripilante está presente ainda num espaço que deveria ser, no mínimo, de respeito.
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