Dedicado a discutir um tema de atualidade maior – a herança da ditadura de 64 – o filme “Ainda Estou Aqui” já lotava os cinemas do país antes mesmo do Globo de Ouro.
Enfrentei uma fila longa e um cinema lotado na noite de ontem, mas voltei para casa com aquela satisfação íntima, muito peculiar, que o bom cinema costuma produzir.
A notícia de que Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro é motivo de orgulho para todos. Reforça a atualidade de um tema essencial das democracias modernas – a investigação e punição de crimes do Estado – e o destino de seus responsáveis.
Para ir direto ao ponto: a herança do porão militar de 64, aquele que torturava e matava adversários do regime, constitui um tumor maligno da democratização brasileira.
Seus segredos permanecem protegidos, seus responsáveis já foram identificados – mas jamais foram ao banco dos réus para serem julgados. É indispensável mudar esse comportamento – investigar denúncias, abrir segredos, revelar responsáveis.
Não se trata de ressentimento, muito menos vingança, mas Justiça, aquele universo único que separa civilização de barbárie.
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