Opinião

Prêmio pode virar dor de cabeça para o governo. Ou não

Para Paulo Moreira Leite, a premiação de Fernanda Torres mostra a necessidade de ‘investigação e punição de crimes do Estado e o destino de seus responsáveis’

Cena do filme "Ainda estou aqui"
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Dedicado a discutir um tema de atualidade maior – a herança da ditadura de 64 – o filme “Ainda Estou Aqui” já lotava os cinemas do país antes mesmo do Globo de Ouro.

Enfrentei uma fila longa e um cinema lotado na noite de ontem, mas voltei para casa com aquela satisfação íntima, muito peculiar, que o bom cinema costuma produzir.

A notícia de que Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro é motivo de orgulho para todos. Reforça a atualidade de um tema essencial das democracias modernas – a investigação e punição de crimes do Estado – e o destino de seus responsáveis.

Para ir direto ao ponto: a herança do porão militar de 64, aquele que torturava e matava adversários do regime, constitui um tumor maligno da democratização brasileira.

Seus segredos permanecem protegidos, seus responsáveis já foram identificados – mas jamais foram ao banco dos réus para serem julgados. É indispensável mudar esse comportamento – investigar denúncias, abrir segredos, revelar responsáveis.

Não se trata de ressentimento, muito menos vingança, mas Justiça, aquele universo único que separa civilização de barbárie.

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