Em 1979, a resistência democrática contra a ditadura militar impôs uma anistia que abriu a porta de prisões para homens e mulheres que haviam lutado contra o regime.
Encarada como um momento de pacificação num país dilacerado por um regime que censurava, perseguia e matava, a anistia fez história numa sequência de duas faces. Foi capaz de abrir a porta da cadeia para milhares de brasileiros condenados por um sistema violento e arbitrário, que torturava militantes e desaparecia com seus corpos. A outra face era vergonhosa. Suas regras e definições contribuíram para bloquear qualquer investigação oficial sobre a violência e a ilegalidade que fizeram escola nos organismos de repressão. Ali, os choques elétricos eram um método de investigação e o assassinato clandestino uma opção para os casos mais difíceis.
Em 2025, quando se trata de investigar e condenar golpistas que trabalharam noite e dia contra uma democracia reconquistada após um quarto de século no qual nosso país foi submetido a governos tutelados pela força militar, o plano é uma nova ação entre amigos. Nada se investiga, ninguém é punido e, como se sabe, os golpistas de sempre estarão a postos para qualquer eventualidade.
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