Opinião

Canção de ninar gente morta

“O réquiem do desprezo à vida humana”, diz Hildegard Angel sobre o genocídio do povo palestino pelas tropas israelenses

Um homem palestino carrega uma menina ferida no local dos ataques israelenses, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, 14 de outubro
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A sequência de “frames” de mais um entre os milhares de vídeos que circulam na internet registrando a matança em Gaza é de arrepiar todos os cabelos do corpo, é de embrulhar o estômago, é de dar nó em todas as tripas.   

Enquanto a câmera passeia sobre os corpos mortos esparramados no chão, e a pá do caminhão bulldozer vai catando e acumulando, na caçamba da escavadeira, a pilha de cadáveres de civis palestinos recém-assassinados, ao norte da Faixa de Gaza, uma soldado israelense, com voz afinadíssima e doce, cantarola ao fundo uma canção, que parece ser de ninar.

O réquiem do desprezo à vida humana. O “lullaby” das vidas perdidas. O hino da derrota da Humanidade. A “ouverture” da grande ópera do fim do mundo. 

Angustiante, desprezível, abjeto. Não há palavras para definir o tamanho de minha repugnância.

Chega! 

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Cortes 247

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