247 – A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta uma crescente crise interna, marcada por disputas familiares, divergências estratégicas e críticas de aliados sobre a condução da candidatura. Segundo a jornalista Andréia Sadi, do G1, integrantes do próprio campo bolsonarista avaliam que o projeto eleitoral entrou no chamado “modo cercadinho”, expressão usada para definir uma campanha voltada apenas ao núcleo mais fiel de apoiadores e com dificuldades para ampliar seu alcance junto a outros segmentos do eleitorado.
A avaliação de lideranças próximas ao senador é de que a campanha vive um momento de radicalização, desorganização e perda de coordenação política, agravado por disputas internas e pela influência de um grupo que atua a partir dos Estados Unidos.
De acordo com aliados, o termo “modo cercadinho” sintetiza a percepção de que a candidatura passou a dialogar prioritariamente com sua base mais ideológica, deixando de construir pontes políticas e ampliar o apoio junto a novos eleitores. A expressão teria sido utilizada, inclusive, por integrantes do próprio bolsonarismo, como Fábio Wajngarten.
Ao mesmo tempo, a disputa entre Michelle Bolsonaro e Flávio deixou de ocorrer apenas nos bastidores e passou a repercutir publicamente. Segundo a avaliação de integrantes do grupo político, Michelle busca maior protagonismo na campanha e tem explicitado divergências que antes permaneciam restritas ao ambiente familiar.
Na análise de aliados ouvidos pela reportagem, esse conflito afeta justamente dois segmentos considerados estratégicos para o bolsonarismo: o eleitorado feminino e os evangélicos. Além disso, a exposição pública das divergências comprometeria a imagem de unidade familiar, tradicionalmente explorada pelo grupo político.
Outro foco de insatisfação envolve a condução estratégica da campanha. Integrantes do partido afirmam que decisões importantes vêm sendo tomadas a partir de um comitê instalado nos Estados Unidos, enquanto lideranças que permanecem no Brasil defendem que Flávio assuma maior controle sobre o processo.
Parte dos aliados cobra que o senador enquadre ou desautorize a atuação do grupo instalado no exterior, apontado como responsável por influenciar decisões que provocaram desgastes recentes para a candidatura, entre eles episódios relacionados ao tarifaço e ataques dirigidos a aliados políticos.
Na avaliação de integrantes do bolsonarismo, a combinação entre a disputa interna, a falta de comando centralizado e os conflitos estratégicos dificulta a coordenação da campanha e reforça a percepção de isolamento político da candidatura.
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