26.03.2026 - Presidente da. República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro, no Auditório Caminho Niemeyer. Niterói - RJ.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula precisa reavaliar sua estratégia para obter o máximo resultado com o esforço adequado

A imagem que o momento exige é a de um estadista experiente, maduro, que sabe exatamente quando e como intervir

A política sempre exigiu de seus protagonistas uma resistência que vai além das ideias. É uma arena de corpos, de presenças, de disponibilidade quase ininterrupta, temperada por empenho intelectual fixado na realização dos ideais.

Nesse cenário, o presidente Lula, aos 80 anos, tem feito um movimento admirável: demonstrar vigor é parte da motivação de quem zela pela própria saúde. É razão de justo orgulho, além de exemplo para quem serve de referência para todos.

As agendas densas, as viagens frequentes, os compromissos que se estendem por longas horas e diferentes estados no mesmo dia e até mesmo as imagens de corridas matinais — tudo isso responde a uma lógica de quem harmoniza uma rotina intensa com os cuidados necessários a qualquer idade.

Mas é preciso um olhar mais frio, mais estratégico, para lembrar que governar e disputar uma eleição exigem equilíbrio. São, sobretudo, exercícios de gestão de energia.

O presidente não precisa provar que é um super-homem. Precisa provar que é, como de fato é, o mais experiente e capaz para conduzir o país em um momento crítico da história nacional e mundial. E a experiência, nesse caso, não se traduz na quantidade de compromissos cumpridos em um único dia, mas na qualidade da presença em cada um deles.

O risco da exposição exacerbada é conhecido de todo estrategista: quem se mostra demais, quem acelera o ritmo sem pausas, aumenta geometricamente a margem para o erro. E aqui não se trata de fragilidade, mas de inteligência de movimento.

O ambiente midiático, vale lembrar, não é neutro. O campo adversário, alimentado por uma mídia cujo viés antilulista ficou escancarado mais uma vez no infame PowerPoint da Globonews, aguarda cada deslize como quem aguarda um ponto de virada.

E, quando um erro acontece — ou mesmo quando um feito transcendente ocorre, como o lançamento do caça supersônico Gripen, produzido pela Embraer, que deveria ter sido celebrado como marco da indústria nacional e da soberania tecnológica —, a estratégia é a mesma: minimizar ou ocultar o conteúdo relevante e amplificar o ruído. Diante disso, calibrar a rotina não é um sinal de cansaço, mas de soberania sobre o próprio tempo.

O presidente faria bem em se ver como um atleta estrategista, não um velocista que precisa estar em todas as provas. Um grande artista sabe que a melhor performance se atinge com preparação, planejamento e a escolha das variantes adequadas para aqueles momentos decisivos que exigem o máximo de si.

A campanha eleitoral que se avizinha será duríssima, e cada movimento precisará ser metabolizado em resultado. É preciso economizar energias para identificar e acionar os gestos que realmente definirão o rumo da disputa.

Não se está a sugerir, de forma alguma, um recolhimento ou uma redução da presença política. O que se defende é um equilíbrio mais refinado: que o presidente continue a mostrar sua invejável disposição, mas que o faça sem a necessidade de ocupar cada minuto, cada espaço, cada agenda.

A imagem que o momento exige não é a de um Rambo desbravando territórios a qualquer custo, mas a de um estadista experiente, maduro, que sabe exatamente quando e como intervir, seja como tal ou como quadro político disposto ao corpo a corpo para liderar o Brasil.

Afinal, mais importante do que estar em todos os lugares é estar no lugar certo, na hora certa, com a força inteira. O arqueiro, o enxadrista, o meio-campista, o artilheiro e o esgrimista terão de ser acionados com argúcia e suor, na dose certa, na medida exata para o momento.

Redação Brasil 247 avatar
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