247 – O Brasil resgatou 13 cidadãos que estavam na Venezuela após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingirem o País na quarta-feira (24), deixarem destruição em Caracas e arredores e gerarem cerca de 430 réplicas. De acordo com a Força Aérea Brasileira, os brasileiros chegaram ao Rio de Janeiro na mesma aeronave que havia levado ajuda humanitária ao país vizinho. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (29) pela Sputnik.
Pelo menos 1.719 morreram depois dos dois terremotos de grande magnitude registrados na tarde de quarta-feira (24). O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou 5.034 feridos. Autoridades contabilizaram 15.866 pessoas desabrigadas e 22.619 afetadas atendidas em hospitais, unidades de campanha e pontos de triagem montados nas regiões atingidas.
O presidente da Assembleia Nacional informou ainda que a Venezuela registrou 611 eventos sísmicos desde o início da emergência. O total inclui os dois tremores principais e 609 réplicas. Autoridades registram 855 edifícios danificados – 189 desabaram completamente e 666 sofreram colapso parcial ou apresentam danos graves.
De acordo com informações divulgadas pelo governo brasileiro nesse domingo (28), o avião retornaria vazio ao Brasil após cumprir a missão de assistência. A operação permitiu o embarque dos brasileiros e integrou o esforço montado por Brasília para apoiar a resposta venezuelana à tragédia.
Os dois tremores atingiram a região norte da Venezuela, onde fica Caracas, e provocaram mortes, colapso de edifícios e danos em diferentes áreas da capital e de municípios próximos. Os sismos figuram entre os mais fortes registrados no território venezuelano em mais de um século.
Neste domingo, o Brasil também enviou o quarto voo humanitário ao país vizinho. A aeronave partiu da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, com 35 bombeiros militares de São Paulo e Minas Gerais para reforçar as equipes que já trabalham em La Guaira, na Venezuela.
A missão brasileira começou no sábado (27), com atuação no município de Vargas, uma das áreas mobilizadas no atendimento às vítimas e na busca por desaparecidos. A primeira equipe enviada pelo governo brasileiro decolou na sexta-feira (26), dois dias após os terremotos.
O Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas estima que cerca de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas. O número reforça a dimensão da crise e a necessidade de apoio internacional em busca, resgate, atendimento médico e assistência aos desabrigados.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, na sigla em inglês USGS, os abalos principais tiveram magnitudes 7,2 e 7,5. Depois deles, a Venezuela registrou centenas de réplicas, o que manteve a população em alerta e dificultou os trabalhos de socorro em áreas com estruturas comprometidas.
A resposta internacional também incluiu manifestação da Rússia. O presidente Vladimir Putin enviou condolências ao governo e ao povo venezuelanos pelas vítimas da tragédia, enquanto Moscou afirmou ter disposição para prestar assistência a Caracas.
Com os voos humanitários, o Brasil ampliou sua presença na operação de socorro à Venezuela e combinou envio de equipes especializadas, apoio logístico e repatriação de cidadãos brasileiros. A FAB segue mobilizada no transporte de pessoal e equipamentos destinados ao atendimento emergencial.
Entenda
Os dois terremotos que atingiram a Venezuela foram registrados na noite da última quarta-feira (24). Após os abalos, o governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o território nacional. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o tremor mais intenso teve epicentro em El Guayabo, cidade localizada a 168 quilômetros de Caracas, a uma profundidade de 13 km.
A baixa profundidade dos abalos ajuda a explicar o forte impacto sentido na superfície. Terremotos podem ocorrer na crosta terrestre ou no manto superior, em uma faixa que se estende da superfície até cerca de 800 quilômetros de profundidade. Quanto mais distante da superfície está a origem do tremor, menor tende a ser a força percebida pelas populações atingidas.
Um terremoto gerado a 500 km de profundidade, por exemplo, costuma produzir efeitos muito menos intensos na superfície do que um abalo semelhante ocorrido a 20 km. Por essa razão, sismos mais próximos da superfície frequentemente provocam danos maiores em áreas urbanas e regiões vulneráveis.
De acordo com o USGS, os tremores registrados na Venezuela entram na categoria de terremotos rasos. Essa classificação se aplica a abalos que ocorrem entre 0 km e 70 km de profundidade. Já os terremotos intermediários se formam entre 70 km e 300 km, enquanto os profundos ocorrem entre 300 km e 700 km abaixo da superfície.
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