PF mira lavagem de dinheiro em contratos da saúde no Rio

Operação Anafóra cumpre 14 mandados no Rio, Niterói e Duque de Caxias e apura suspeitas de desvio de recursos públicos da saúde

Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília
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247 – A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (30) a segunda fase da Operação Anafóra para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao desvio de recursos públicos, com foco especial em verbas destinadas à saúde no estado do Rio de Janeiro, segundo o jornal O Globo. Os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, na Região Metropolitana, e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. 

Dez mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal, enquanto outros quatro partiram do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), em razão do entendimento atual do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção do foro privilegiado mesmo após o fim do mandato de envolvidos.

A nova etapa da investigação aprofunda elementos colhidos desde a primeira fase da Operação Anafóra, deflagrada em 2022. Segundo a Polícia Federal, a apuração identificou indícios de que investigados manteriam bens em nome de terceiros, realizariam gastos incompatíveis com sua capacidade financeira declarada e participariam de negociações envolvendo imóveis.

Os alvos poderão responder por organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. A PF informou que outros crimes ainda podem ser identificados conforme o avanço das investigações.

A primeira fase da Operação Anafóra teve como objetivo apurar suspeitas de favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pelo município de Duque de Caxias. O contrato investigado, somado a aditivos, chegou a R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.

Na ocasião, um dos alvos da operação foi o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), que naquele período era candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL). Agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Reis.

Segundo a decisão judicial que autorizou as buscas em 2022, a Polícia Federal apontou suspeitas de favorecimento na contratação da Renascer Cooperativa de Trabalho, a Renacoop, pela Prefeitura de Duque de Caxias. A cooperativa prestava serviços médicos e especializados à rede municipal de saúde. A corporação também citou indícios de sobrepreço no processo.

A investigação mencionou ainda suspeitas relacionadas a uma suposta doação de tanques-rede para criação de peixes na Fazenda Paraíso, centro municipal de tratamento de dependentes químicos em Duque de Caxias.

À época da primeira fase, Washington Reis afirmou, em nota, que recebeu os agentes da Polícia Federal em sua casa “com mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre um suposto favorecimento em contratos de uma cooperativa de trabalho”. O ex-prefeito declarou ainda que “atendeu aos policiais e se colocou à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários”.

Na mesma manifestação, Reis disse que “a polícia fez o seu trabalho, sem nenhum tipo de interrupção ou dificuldade e nada foi encontrado”. Ele também afirmou que os agentes estiveram “na Fazenda Paraíso, com outros mandados de busca e apreensão, para averiguação, onde também não encontraram nada ilegal, apenas o espaço em seu funcionamento regular onde, neste momento, mais de 60 dependentes químicos encontram-se em tratamento já que o local é o maior centro de recuperação de dependentes químicos do país”.

Também na ocasião, o então governador e candidato à reeleição Cláudio Castro afirmou respeitar o trabalho da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) e disse aguardar os desdobramentos da operação.

A segunda fase da Operação Anafóra amplia a frente de apuração sobre o possível caminho do dinheiro supostamente desviado de contratos públicos, especialmente na área da saúde, e busca reunir novas provas sobre a ocultação de patrimônio e a movimentação financeira dos investigados.

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