Tenho defendido a necessidade de entregarmos dinheiro nas mãos de pessoas entre 17 e 24 anos, com o mínimo de contrapartida ou sem burocracia alguma, de forma universalizada.
É nessa faixa etária que estão problemas sociais crônicos de nossa cidade, como a alta mortalidade por violência, elevado índice de encarceramento, desemprego muito acima da média e a gravíssima evasão escolar.
Posso somar a esses números algumas insinuações teóricas feitas a partir de minha convivência – diária – com essa população: demanda reprimida de consumo e desejo por autonomia financeira.
Há quase um ano, dei um passo para essa proposta no artigo Economia: a saída é garantir renda aos jovens, e sinto o tema estar mais urgente de debate, primeiro pelos resultados concretos das políticas de renda e, segundo, pelo agravamento da crise pode condenar toda uma geração, ou mais de uma.
É público e notório que dinheiro na mão das pessoas ativa a economia.
Isso vai além dos pensamentos econômicos e ideológicos, é resultado prático da vida real.
A questão é como se fazer, para qual finalidade e por quanto tempo.
Uma política de distribuição direta de renda, com o governo (inclusive o Municipal, pois tratamos aqui da cidade mais rica da América Latina) agindo ativamente sobre os cerca de 1,7 milhões de jovens nessa faixa etária na cidade de São Paulo, pode ser o primeiro passo para iniciar uma mudança estrutural em nossa economia.
Será dinheiro na rua, pra comprar celular, roupa, comida, livros ou qualquer outro bem ou serviço, gerando emprego e mais renda. É uma fórmula simples.
Por isso, entregar todos os meses um salário mínimo – ou meio salário mínimo, mas não menos que isso – nas mãos dessas pessoas pode gerar importantes resultados práticos como garantir permanência na escola e na universidade, reduzir a capacidade de aliciamento do crime e evitar que jovens deixem os estudos para servirem de mão de obra barata.
Por fim, dados recentes mostram: 40% dessa população entre 17 e 24 anos já está endividada e que 65% trabalha para ajudar no sustento da família. Aliviar essa pressão econômica, psicológica e social sobre uma relevante parcela da cidade é garantir uma vida econômica mais saudável e capaz fazer a cidade crescer e se desenvolver de forma mais justa e sustentável no futuro.
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