Opinião

As cotas, 20 anos depois

“As cotas representaram um passo, mesmo inicial, para abrir lugar aos filhos do povo em escolas que serviam exclusivamente a elite”, escreve Paulo Moreira Leite

UnB foi a primeira universidade federal a adotar sistema de cotas raciais


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Quando a criação do regime de cotas para ingresso nas universidades brasileiras completa 20 anos de existência, é possível fazer um primeiro balanço de uma iniciativa que provocou polemicas amargas duas décadas atrás.

Na época, o debate concentrou-se em torno de uma questão — saber se o mérito individual de cada estudante deveria prevalecer sobre sua condição social.

Questionava-se a aplicação de cotas — raciais, na maioria dos casos — para facilitar o ingresso de alunos negros, tradicionalmente excluídos de nossas universidades públicas por uma ordem social que acumula séculos de discriminação e pobreza.

Combatidas até o último minuto pelas fortalezas do conservadorismo brasileiro, em particular pela Globo, há vinte anos as cotas acabaram aprovadas por unanimidade no STF, e assim entraram em vigor no país. Duas décadas depois, o debate é outro.

As cotas se afirmaram como uma proposta imediata para responder a uma questão histórica e também urgente de uma sociedade onde a desigualdade social atingiu patamares insustentáveis, produzindo reflexos óbvios em todas as esferas da existência, em particular numa esfera tão relevante como a formação escolar.

Embora haja muito a ser feito para democratizar o ensino e facilitar o acesso às universidades públicas – a começar pela ampliação de vagas – parece claro que as cotas representaram um passo, mesmo inicial, para abrir lugar aos filhos do povo em escolas que serviam exclusivamente a elite.

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