Quando a criação do regime de cotas para ingresso nas universidades brasileiras completa 20 anos de existência, é possível fazer um primeiro balanço de uma iniciativa que provocou polemicas amargas duas décadas atrás.
Na época, o debate concentrou-se em torno de uma questão — saber se o mérito individual de cada estudante deveria prevalecer sobre sua condição social.
Questionava-se a aplicação de cotas — raciais, na maioria dos casos — para facilitar o ingresso de alunos negros, tradicionalmente excluídos de nossas universidades públicas por uma ordem social que acumula séculos de discriminação e pobreza.
Combatidas até o último minuto pelas fortalezas do conservadorismo brasileiro, em particular pela Globo, há vinte anos as cotas acabaram aprovadas por unanimidade no STF, e assim entraram em vigor no país. Duas décadas depois, o debate é outro.
As cotas se afirmaram como uma proposta imediata para responder a uma questão histórica e também urgente de uma sociedade onde a desigualdade social atingiu patamares insustentáveis, produzindo reflexos óbvios em todas as esferas da existência, em particular numa esfera tão relevante como a formação escolar.
Embora haja muito a ser feito para democratizar o ensino e facilitar o acesso às universidades públicas – a começar pela ampliação de vagas – parece claro que as cotas representaram um passo, mesmo inicial, para abrir lugar aos filhos do povo em escolas que serviam exclusivamente a elite.
Alguma dúvida?
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão