Bebo minhas dúvidas num cálice.
Olho no espelho ,
onde está a minha face?
Campo, nuvens e sol.
O céu é uma ilusão
embriagada de paz.
A desilusão me ensinou
a enxergar o vento.
Já não sinto o chão.
Hoje embrulho a vida
num papel amassado e dourado
e amo apenas o tempo.
Sem esperança,
sem ilusão,
sem expectativas.
Livre da vida,
como um menino.
Não acredito mais em mapas.
Nos caminhos da minha mão,
a cigana só viu
rios sem destino.
As ondas gritam
no encontro com o rio.
E eu, RIO das correntezas.
Minhas dificuldades
são fraquezas que aprendi a carregar.
Olha-me, espelho,
como se fosse a primeira vez.
E que o desespero rasgue a verdade,
pra eu nascer do que restou.
Julio Beraldi
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