Opinião

Etarismo, tô fora!

“Aqui no Brasil, o número de velhos começa a se sobrepor ao da população mais jovem. E o capitalismo inicia a dar um tilt”, diz Hildegard Angel

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Leio a manchete no site estrangeiro: “No Japão o mercado de bebês está perdendo para o de idosos”. Sosseguem, não se trata de tráfico humano de recém-nascidos ou de velhinhos. Trata-se do “tráfego” de excrementos humanos, isto é, de fraldas, fraldinhas e fraldões.

O “mercado” deu um nó! E não é só no Japão, é no mundo inteiro. Aqui no Brasil, o número de velhos começa a se sobrepor ao da população mais jovem. E o capitalismo inicia a dar um tilt. 

“Toc toc toc”: é a crise batendo na porta do planeta. Os países não vão dar conta de tantos idosos, tantos aposentados, tantos inabilitados para fazer funcionar a máquina de produzir riquezas e de moer gente. Com tantos velhinhos na parada, não há como dar conta dos sistemas de saúde e de previdência. Os governos batem pino. Aqui no Brasil, como dar conta das emendas polpudas, de bilhões e bilhões, para adular o Centrão, com tantos idosos para alimentar? E eles custam caro. Só de fraldão… 

Não, não é brincadeira, é sério. Os países terão que rever a distribuição de seus orçamentos. Somem-se aos idosos a massa de desempregados pela IA – Inteligência Artificial – que cada vez mais crescerá. O pisca-alerta da economia mundial está frenético, com receio de um possível colapso das contas públicas. 

Voltando ao Japão, lá o foco do mercado de fraldas não são mais os bebês. São os vovós. A queda nas vendas de fraldas para crianças, só numa fábrica, foi de 700 milhões, em 2001, para 400 milhões hoje.  Nunca as mulheres pariram tão pouco e nunca os velhos viveram tão muito naquele país, onde mais de 10% da população supera os 80 anos de idade. 7

Se o envelhecimento dos cidadãos é ruim para o caixa dos governos, ele é bom para a moral dos veteranos, que passarão a ser os itens mais cobiçados das prateleiras do marketing. As publicidades passarão a exaltar a velhice. Ser velho e ser velha será o “novo normal. Será “in”, será o máximo, será o “ó” do pedaço. Espero viver muito para ter direito a esse “red carpet” da idade provecta, que há de ser num futuro bem próximo. 

Meninas e meninos da “melhor idade”, não façam plástica nem entupam suas caras com injeções. A “tendência” serão as rugas, as papadinhas, a carne molinha do braço, quando dão “tchau”. Viver para conferir.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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