Nesta segunda-feira, no Valor Econômico, três manchetes em sua capa falam sobre o tema, atribuindo a penúria financeira dos estados como uma das causas da violência e chamando a intervenção de “popular e de alto risco”.
O carioca O Globo discute as rebeliões e tentativas de fugas ocorridas nos presídios do Rio durante o final de semana, inclusive com detentos armados dentro das unidades.
Os jornais paulistas Folha e Estadão seguem a linha de justificar meios extremos com exemplos pautáveis, como a velha questão das entregas por parte dos Correios em áreas consideradas “de risco” das grandes cidades.
Mas pouco se abordou sobre a complexidadeda situação.
A intervenção do governo federal, através das forças armadas, em um Estado da Federação gera ainda muitas dúvidas e deixa algumas perguntas:
I. os resultados práticos serão realmente efetivos ao longo prazo ou apenas paliativos, como aconteceu nas Olimpíadas ou em outras ações menores do Exército na cidade?
II. medidas outras, como a melhoria dos investimentos em áreas sociais, serão também pensadas para no futuro essa situação extrema não ser nunca mais necessária e para se acabar com o caos carioca de forma definitiva?
III. o Brasil vai debater de forma soberana e racional a legalização das drogas como medida comprovada de diminuição da violência urbana?
IV. é certo utilizarmos forças armadas – cujo papel é a proteção da nação contra ameaças externas – para legitimar e institucionalizar uma guerra contra civis dentro de nosso próprio território?
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