Com uma inteligência superior, que lhe permitiu realizar lances espetaculares, comovendo platéias do mundo inteiro, Pelé tornou-se parte da identidade de brasileiros e brasileiras
Descobri o talento de Pelé ainda garoto, levado aos estádios por meu pai, um corinthiano que tolerava meu espírito dissidente, que logo se manifestaria em outras áreas da vida.
Um pouco mais tarde, aos 16 anos, consegui um trabalho de repórter na seção de Esportes do Jornal da Tarde, ligado ao grupo Estado. Foi uma chance do destino. A seção de esportes do JT era formado por um conjunto de profissionais competentes e tarimbados.
Neste universo amigável, a cobertura regular do Santos implicava num certo sacrifício: viagens diárias de ida e volta até o litoral para assistir treinos, garimpar novidades, acompanhar entrevistas. Para profissionais experientes, uma chatice. Para um garoto deslumbrado, uma chance do destino.
Na Vila Belmiro, que cheguei a frequentar vários dias por semana, era possível conversar com todo mundo, fazer entrevistas frequentes.
Foi assim — com o distanciamento devido pela profissão e pela idade — que conheci Pelé e os principais jogadores daquele time inesquecível. De tantos treinos e partidas que assisti, das curtas entrevistas que me concedeu, ficou a lembrança de um gênio de verdade, uma inteligência superior a seus colegas de time, aos adversários, acima da média da humanidade, enfim.
Pelé foi genial porque enxergava o que ninguém conseguia ver e antecipava o que os demais jogadores — adversários ou companheiros de time — sequer podiam imaginar. A cada partida, era capaz de mostrar que o futebol podia ser mais belo, empolgante.
Os gênios reconhecidos de outras áreas fazem isso num laboratório, à frente de um computador, mergulhados em infinitas leituras. Pelé usava os pés para expressar a própria a originalidade.
Enxergava lances que ninguém via, desenhava dribles que ninguém fizera antes, marcava gols que até os adversários aplaudiam.
Seu instrumento de trabalho eram os pés — mas a energia real se encontrava num cérebro privilegiado, que comandava movimentos sempre à frente dos comuns mortais que participavam do espetáculo, fossem jogadores, jornalistas, cartolas, o publico.
Tivesse tido outro berço, quem sabe nascido numa sociedade menos atrasada e preconceituosa, Edson Arantes do Nascimento teria sido reconhecido como um Santos Dumont, um Oscar Niemeyer. Foi Pelé, um gênio — e isso basta para o país sentir um imenso orgulho de sua história, grandiosa e popular.
Alguma dúvida?
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão