Muito mais do que um espetáculo esportivo, as cenas de Valência, neste domingo, 21 de maio, já entraram para a História do futebol como um retrato didático da opulência e injustiça das sociedades de nosso tempo.
Herança de uma história de séculos de exploração econômica e domínio colonial, o racismo é um conhecido instrumento de subordinação social — e humilhação pública — de povos e cidadãos historicamente condenados a uma existência miserável no interior das sociedades contemporâneas.
Alvo frequente de ataques nos estádios espanhóis, onde manifestações racistas se tornaram lamentável rotina, antes deste domingo Vinicius José Paixao de Oliveira Jr já havia reunido oito denúncias formais contra atos racistas que enfrentou desde que seu desembarque no país, fruto da mais carta transação do futebol brasileiro desde a venda de Neymar para o Paris Saint Germain, em 2013.
Vini Jr passou o jogo como alvo permanente de xingamentos da torcida adversária. No final, acabou expulso em meio a baderna entre as torcidas.
O técnico Carlo Ancelotti denunciou após a partida:
— Um estádio gritando ‘macaco’ para um jogador e nada acontece. Houve este ano uma dezena de denúncias pelos insultos ao Vinícius. E aí, o que aconteceu? Nada. Ele não era o culpado. Era a vítima.
Em sua conta no Instragam, o próprio Vini Jr apontou para a direção certa e escreveu: “O prêmio que os racistas ganharam foi minha expulsão.”Essa é a lição.
Além do tumulto e do barulho, o racismo sempre prejudica o mais fraco.
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