247 – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro cogitou deixar o PL após a crise com Flávio Bolsonaro, em meio à disputa interna pelo comando político do bolsonarismo e à repercussão de seu afastamento da presidência do PL Mulher, relata Gustavo Uribe, da CNN Brasil.
Michelle chegou a avaliar a possibilidade de trocar de partido como forma de ampliar sua autonomia política em relação aos filhos de Jair Bolsonaro (PL). A crise familiar ganhou força após a divulgação de um vídeo em que ela fez críticas a Flávio, pré-candidato à Presidência da República pelo campo bolsonarista.
Entre as siglas consideradas no entorno da ex-primeira-dama estiveram Republicanos e PP. Os dois partidos abrigam aliadas políticas próximas a Michelle, como a senadora Damares Alves e a governadora do Distrito Federal em exercício, Celina Leão. A avaliação, porém, esbarrou em um obstáculo jurídico-eleitoral: o prazo de filiação para disputar as eleições deste ano terminou em abril.
Diante disso, Michelle foi aconselhada a permanecer no PL por enquanto e deixar uma eventual mudança partidária para outro momento. A orientação recebida foi a de que uma troca imediata poderia comprometer seus planos eleitorais no curto prazo, especialmente diante das especulações sobre uma possível candidatura ao Senado.
A ex-primeira-dama anunciou na terça-feira (30) sua saída do comando do PL Mulher. Antes da decisão, reuniu-se com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, para tratar da crise aberta no núcleo político da família Bolsonaro.
Segundo relatos, Valdemar reafirmou confiança em Michelle durante a conversa e pediu que ela participasse, nesta quarta-feira (1º), de um encontro de Flávio Bolsonaro com mulheres conservadoras. A ex-primeira-dama, no entanto, indicou que não pretende comparecer ao evento.
Michelle teria afirmado que, nas próximas semanas, pretende se dedicar aos cuidados de Jair Bolsonaro. O ex-presidente aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a continuidade de sua prisão domiciliar.
Aliados relataram que Michelle ficou surpresa com a repercussão negativa do vídeo publicado nas redes sociais. A expectativa dela, segundo essas avaliações, era receber apoio mais expressivo da militância de direita após o episódio.
Com o objetivo de reduzir o desgaste político provocado pela crise, Michelle foi orientada a se afastar temporariamente dos holofotes. A estratégia defendida por aliados é que ela retome a exposição pública apenas no início da campanha eleitoral, em agosto.
A crise expôs tensões internas no bolsonarismo em um momento de reorganização política do grupo, com Flávio Bolsonaro tentando consolidar apoio entre lideranças conservadoras e Michelle ainda tratada como uma figura de forte apelo junto ao eleitorado de direita.
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