247 – A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua sem sinais de solução e, segundo integrantes da cúpula do Partido Liberal (PL), uma reconciliação entre os dois é considerada inviável no cenário atual. A informação foi publicada pelo G1, em reportagem do jornalista Valdo Cruz.
Embora a relação entre Michelle e Flávio esteja deteriorada, dirigentes do partido não descartam que o ex-presidente Jair Bolsonaro atue para garantir ao menos um apoio formal da esposa à candidatura presidencial do filho durante a campanha eleitoral, ainda que sem participação ativa.
A tensão interna ganhou novos contornos após Michelle Bolsonaro comunicar oficialmente, na terça-feira (30), sua decisão de deixar a presidência do PL Mulher. A informação foi levada ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, durante reunião realizada na sede do partido.
Nos bastidores, integrantes da direção do PL avaliam que uma reaproximação pessoal entre Michelle e Flávio está fora de cogitação neste momento. Um dirigente ouvido pelo G1 resumiu o clima interno ao afirmar: “Reconciliação, hoje, esquece, é impossível. A relação nunca foi boa e, agora, está pior.”
Apesar desse diagnóstico, a mesma fonte ponderou que o ambiente político pode mudar ao longo da campanha. Segundo aliados de Flávio Bolsonaro, o pragmatismo costuma prevalecer em disputas eleitorais, o que abre espaço para uma eventual aproximação institucional, ainda que sem recomposição da relação pessoal.
A expectativa da cúpula do PL é que Jair Bolsonaro tente convencer Michelle Bolsonaro a manifestar apoio formal ao senador durante a campanha presidencial. No entanto, interlocutores do partido afirmam que não há expectativa de que a ex-primeira-dama participe ativamente da mobilização eleitoral ou se envolva diretamente na campanha.
Paralelamente, pessoas próximas a Michelle defendem que ela mantenha seu próprio projeto político. Aliados da ex-primeira-dama consideram sua atuação estratégica tanto para fortalecer o PL no Distrito Federal quanto para impulsionar a candidatura da vice-governadora Celina Leão ao governo distrital, de quem Michelle é aliada.
Outro fator que amplia o desgaste, segundo a reportagem, é a insatisfação de Michelle e de seu grupo político com a postura de Flávio Bolsonaro diante das críticas dirigidas à ex-primeira-dama e à senadora Damares Alves. Integrantes do entorno de Michelle afirmam que o senador não tem atuado para impedir que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que estão nos Estados Unidos, mantenham ataques públicos contra ambas.
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