247 – O senador Rogério Carvalho (PT-SE) defendeu nesta terça-feira (30) a aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas, afirmando que a proposta representa um avanço para a saúde mental, a produtividade e a valorização dos trabalhadores brasileiros. A informação é da Assessoria de Comunicação do parlamentar.
Em entrevista à TV Senado, segundo a assessoria, Carvalho afirmou que a matéria enviada pela Câmara dos Deputados reúne condições políticas para ser aprovada ainda antes do recesso parlamentar. Para o senador, a mudança na jornada de trabalho deve ser tratada como uma pauta de dignidade, com impacto direto sobre a qualidade de vida da classe trabalhadora.
“Espero que todos àqueles que participarem saiam com a convicção da importância de reduzirmos a jornada de trabalho para o bem da saúde mental dos trabalhadores e das trabalhadoras, especialmente das mulheres, que acabam ficando com a maior carga de trabalho por conta das várias jornadas que enfrentam”, afirmou.
O parlamentar destacou que as mulheres estão entre as mais afetadas pelo modelo atual, por acumularem responsabilidades profissionais, domésticas e familiares. Segundo ele, a redução da jornada pode representar um marco histórico na proteção social do trabalho no Brasil.
“Também espero que a gente consiga chegar a um consenso sobre a importância, a pertinência e a oportunidade de votarmos essa PEC e darmos esse presente às mulheres trabalhadoras e aos trabalhadores do Brasil”, disse.
Carvalho também rebateu críticas de setores produtivos que apontam possível aumento de custos com o fim da escala 6×1. Para o senador, medidas de valorização do trabalho podem ampliar a renda, estimular o consumo e fortalecer a economia.
“Tudo aquilo que significa melhorar a vida dos trabalhadores e distribuir riqueza no Brasil é visto, muitas vezes, como algo ruim. Mas nós temos provas de que, toda vez que os governos agem para distribuir riqueza e aumentar a renda média do trabalhador, a economia cresce”, declarou.
A proposta em discussão prevê a redução de quatro horas na jornada semanal, com limite de 40 horas. Para o senador, o efeito sobre as empresas dependerá da capacidade de reorganização dos processos internos e da busca por ganhos de produtividade.
“São quatro horas semanais a menos de trabalho. Isso pode significar aumento de custo ou pode significar aumento de produtividade. Vai depender de como as empresas vão reorganizar o seu processo de trabalho”, afirmou.
Durante a entrevista, Rogério Carvalho comparou o debate atual a outras conquistas trabalhistas que também enfrentaram resistência no passado. Ele citou a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais durante a Constituinte e a criação do 13º salário como exemplos de medidas que, segundo ele, foram incorporadas à economia brasileira sem provocar os efeitos negativos previstos por críticos.
“No passado, quando reduzimos a jornada de 48 para 44 horas na Constituinte, disseram que o país ia quebrar. Nada disso aconteceu. Pelo contrário: aumentou o emprego, melhorou a renda e melhorou a vida dos trabalhadores brasileiros”, recordou.
Ao comentar a tramitação da PEC, o senador afirmou que o texto vindo da Câmara é o mais viável politicamente neste momento, por já refletir uma tentativa de equilíbrio entre as demandas dos trabalhadores e as preocupações do setor produtivo.
“A PEC que veio da Câmara já reflete um acordo possível. Ela estabelece uma jornada de 40 horas e uma redução de quatro horas semanais. Já é uma mediação com o setor produtivo e reflete esse diálogo. Acredito que essa seja a proposta com mais condições de ser aprovada aqui”, declarou.
Carvalho demonstrou confiança na aprovação da proposta e defendeu que o Senado avance na votação em curto prazo. “Eu espero que a gente possa aprovar isso aqui antes do recesso parlamentar ou, no máximo, antes do período eleitoral”, concluiu.
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