Desenrola 2.0 renegocia R$ 17,5 bilhões em dívidas

Programa já beneficiou 7,5 milhões de famílias e retirou mais de 4,9 milhões de brasileiros dos cadastros de inadimplência

Lula e Dario Durigan
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247 – O Desenrola 2.0 renegociou R$ 17,5 bilhões em dívidas de 7,5 milhões de famílias brasileiras desde seu lançamento, em 4 de maio, e já retirou mais de 4,9 milhões de pessoas dos cadastros de inadimplência, segundo balanço do Ministério da Fazenda.

O volume renegociado pelo novo programa do governo federal já equivale a 32,9% do total registrado na primeira edição do Desenrola, que alcançou R$ 53,2 bilhões entre 2023 e 2024. A nova fase da iniciativa tem duração prevista de 90 dias e busca ampliar o acesso de famílias endividadas a condições mais favoráveis para regularizar débitos em atraso.

Segundo o Ministério da Fazenda, os acordos fechados no Desenrola 2.0 tiveram desconto médio de 80%, o que contribuiu para a retirada de milhões de consumidores dos bancos de dados de inadimplência. Quando consideradas também as modalidades voltadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e aos segmentos Empresas e Rural, o total de dívidas renegociadas chega a R$ 41,6 bilhões.

O programa é direcionado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105. Podem ser renegociadas dívidas como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos, desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos e tenham sido contraídas até janeiro de 2026.

O acesso às negociações ocorre pelos canais oficiais das instituições financeiras participantes. A proposta do governo é reduzir o endividamento das famílias, estimular a recuperação do crédito e oferecer alternativas para consumidores que enfrentam dificuldades para quitar compromissos financeiros acumulados.

A primeira edição do Desenrola Brasil, realizada entre 2023 e 2024, foi voltada à repactuação de dívidas bancárias e não bancárias. Segundo a Fazenda, o programa foi considerado bem-sucedido por permitir a renegociação de mais de R$ 50 bilhões em débitos atrasados. A estimativa é que a etapa inicial tenha custado R$ 1,7 bilhão ao Tesouro Nacional.

Na segunda edição, o governo ampliou o escopo da iniciativa ao incluir novas frentes, como Fies, Empresas e Rural, além da modalidade voltada às famílias. A ampliação busca atender diferentes perfis de endividados e aumentar o alcance da política pública de renegociação.

Nesta segunda-feira (29), o presidente Lula (PT) lançou também o Desenrola Adimplentes, voltado a trabalhadores informais que mantêm histórico recente de pagamento em dia, mas enfrentam dificuldade para acessar crédito em condições favoráveis.

A nova modalidade faz parte da ampliação do Novo Desenrola Brasil e tem como objetivo oferecer crédito com juros menores a trabalhadores informais, além de criar condições para reorganização financeira antes que a inadimplência se consolide. O público-alvo inclui pessoas sem vínculo empregatício pela CLT, que não sejam servidores públicos nem aposentados ou pensionistas do INSS.

O Desenrola Adimplentes permite que trabalhadores informais com empréstimo pessoal em andamento de até R$ 15 mil por instituição financeira possam contratar uma nova operação para quitar integralmente a dívida anterior. A taxa máxima de juros foi fixada em 1,99% ao mês.

Pelas regras anunciadas, o prazo da nova operação será equivalente ao período restante da dívida original, com possibilidade de ampliação. A nova parcela deverá corresponder a, no máximo, 90% do valor da prestação original. Também há possibilidade de crédito adicional de até 50% do saldo devedor, desde que a parcela final permaneça dentro desse limite.

A operação contará com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), com cobertura de 50% das primeiras perdas da carteira e garantia integral para cada contrato. A medida busca reduzir o risco para as instituições financeiras e ampliar a oferta de crédito a um público historicamente com menor acesso ao sistema bancário formal.

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