247 – O endividamento das famílias brasileiras ficou em 49,8% em abril, sem variação em relação a março, enquanto o comprometimento da renda também permaneceu estável, em 28,2%, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (1º).
De acordo com o relatório “Estatísticas monetárias e de crédito”, apesar da estabilidade mensal, o endividamento das famílias avançou 0,9 ponto percentual em 12 meses. Já o percentual da renda comprometida com dívidas teve alta de 1,1 ponto percentual no mesmo período.
Os números indicam que, embora não tenha havido deterioração entre março e abril, o orçamento das famílias segue pressionado no acumulado de um ano. O indicador de comprometimento da renda mede a fatia dos ganhos destinada ao pagamento de dívidas, incluindo juros e amortizações.
O Banco Central também informou que a inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional chegou a 4,7%. O resultado representa alta de 0,1 ponto percentual no mês e avanço de 1,0 ponto percentual em 12 meses.
A elevação mensal da inadimplência foi observada tanto entre empresas quanto entre famílias. Nas pessoas jurídicas, o índice ficou em 3,2%. Entre pessoas físicas, chegou a 5,6%, patamar mais elevado e que reforça a pressão sobre o orçamento doméstico.
No crédito com recursos livres, em que as condições de empréstimos e financiamentos são negociadas diretamente entre bancos e clientes, a inadimplência subiu 0,1 ponto percentual e alcançou 6,2%.
O relatório também apontou expansão no crédito ampliado ao setor não financeiro, que chegou a R$ 21,5 trilhões, equivalente a 164,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Banco Central, o movimento foi influenciado principalmente por “aumentos de 2,9% nos títulos públicos e de 2,5% nos empréstimos externos”.
Outro destaque do levantamento foi a taxa média de juros do cartão de crédito rotativo, que subiu 7,9 pontos percentuais em março e atingiu 439,9% ao ano. Já o cartão de crédito parcelado avançou 1,5 ponto percentual, para 189,6% ao ano. Considerando o total das operações com cartão de crédito, a taxa média aumentou 2,4 pontos percentuais, chegando a 96,6% ao ano.
Os dados reforçam o peso dos juros elevados sobre consumidores endividados, sobretudo em modalidades de crédito mais caras, como o rotativo do cartão. Mesmo com estabilidade nos indicadores de abril, a alta acumulada em 12 meses mostra que o cenário de crédito segue desafiador para famílias e empresas.
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