Luiz Inácio Lula da Silva

Datafolha acende alerta, mas não é motivo para desespero

O alerta do Datafolha não é uma sentença de derrota. É um chamado à ação

A nova pesquisa Datafolha acaba de soar um sinal amarelo que não se deve ignorar. Os números são inequívocos e pedem atenção. No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto contra 35% de Flávio Bolsonaro – um empate técnico no limite da margem de erro. No segundo turno, o cenário se mostra ainda mais disputado: Lula (45%) e Flávio (46%) estão tecnicamente empatados, com o candidato da oposição numericamente à frente.

Esse quadro, por mais que acenda um forte alerta, não configura, porém, motivo para desespero. A história recente das eleições demonstra que a fotografia de hoje não define o desfecho da disputa. É preciso manter a calma, mas sem nenhum traço de acomodação.

Para comparação, em 2022, no mesmo período do calendário eleitoral, Jair Bolsonaro perdia para Lula por 17 pontos no primeiro turno. No segundo turno, a desvantagem chegava a 21 pontos. O resultado final, como se sabe, foi uma vitória de Lula por margem apertada. O atual cenário mostra Lula competitivo, embora sem vantagem confortável no primeiro turno, nem, muito menos, no segundo.

O alerta do Datafolha é claro: a vantagem anterior evaporou. O empate técnico no primeiro turno e a virada numérica de Flávio Bolsonaro no segundo turno são sinais de que a campanha precisa de ajustes urgentes. As realizações do governo – recuperação de programas sociais, queda do desemprego, controle da inflação e redução dos juros – precisam chegar de forma clara e reiterada ao conhecimento da opinião pública. Não basta governar bem; é preciso, mais do que nunca, comunicar com eficácia.

Há, porém, uma dimensão ainda mais grave que não pode ser omitida neste momento. A população precisa ser informada, uma vez mais, dos crimes de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o entorno bolsonarista. Das investigações sobre o desvio de joias e presentes oficiais à rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, passando pela tentativa de golpe de Estado e pelos atos antidemocráticos que vandalizaram as sedes dos três poderes em 8 de janeiro. Esses fatos não são peças de museu. São a documentação viva de um projeto de poder que flertou abertamente com a ruptura institucional e a degradação ética.

Todos precisam ter em conta o enorme perigo que ronda o país. O fascismo e o negacionismo ameaçam voltar. Não se trata de retórica. Trata-se da ameaça concreta de retorno à política de desmonte ambiental, de ataque à ciência, de associação a organizações criminosas, de apologia à tortura e de desprezo pelos pobres e minorias. Não é pouco o que está em jogo. Está em jogo a qualidade da democracia, a solidez das instituições e a própria vida de quem depende do Sistema Único de Saúde, da educação pública, de benefícios previdenciários e da verdade dos fatos.

Por isso, é imperioso ajustar a tempo a rota, agora que o sinal amarelo foi aceso. O alerta do Datafolha não é uma sentença de derrota. É um chamado à ação. É o momento de intensificar, sem medo, o contato com a base, de qualificar o debate sobre os avanços conquistados e de não permitir que o desgaste natural do exercício do poder se transforme em rejeição sem remédio. O desespero paralisa; o alerta mobiliza. A campanha começa agora. E começa com um sinal amarelo aceso no painel – o que, para pilotos experientes, é apenas o momento para corrigir a rota, não para saltar do avião.

Redação Brasil 247 avatar
Conteúdo postado por:

Relacionados