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Governo aposta em entregas na economia para reverter desgaste de Lula apontado pelo Datafolha

Planalto vê cenário como momentâneo e aposta em medidas econômicas para recuperar popularidade diante de empate técnico e alta rejeição

Presidente Lula durante reunião ministerial, realizada no Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O governo federal avalia que ações na área econômica podem reverter o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a divulgação de uma pesquisa que aponta empate técnico com adversários e aumento da rejeição ao petista. A estratégia inclui medidas para conter a alta dos combustíveis, aliviar o endividamento das famílias e impulsionar a renda, com expectativa de efeitos no curto e médio prazo.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada neste sábado (11), aliados de Lula consideram que o resultado do levantamento Datafolha reflete um momento conjuntural, influenciado por fatores externos e internos, e não uma tendência consolidada. A leitura predominante no Planalto é de que há espaço para recuperação.

A pesquisa mostra que, em um eventual segundo turno, Lula aparece com 45% das intenções de voto contra 46% do senador Flávio Bolsonaro (PL), configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em março, o presidente tinha 46% contra 43% do adversário.

Entre os fatores apontados para a oscilação, auxiliares do governo destacam a alta nos preços dos combustíveis, atribuída ao cenário internacional marcado pela guerra envolvendo o Irã, além do elevado endividamento das famílias brasileiras. Esses elementos teriam neutralizado efeitos positivos de medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Diante desse cenário, o governo aposta em iniciativas como subsídios para reduzir o impacto dos combustíveis e do gás de cozinha, além da liberação de até R$ 7 bilhões do FGTS para trabalhadores endividados.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também atribuiu parte do desgaste às denúncias envolvendo fraudes no INSS e no banco Master. Ele afirmou que a percepção pública tende a responsabilizar o governo por casos de corrupção.

“A pesquisa é uma fotografia do momento, ela reflete o crescimento do sentimento antisistema, principalmente por conta das denúncias de corrupção que o país está vivendo. Aos olhos da sociedade, se existe corrupção, a responsabilidade é do governo, das instituições, o Presidente da República é o maior líder institucional do país”, declarou.

Edinho acrescentou que o governo busca reforçar a narrativa de que Lula está à frente das investigações.

“Se as denúncias estão sendo investigadas é mérito do presidente. E temos que continuar defendendo o legado do governo Lula, que fez a maior entrega desde a redemocratização do Brasil”, afirmou.

Dentro do PT, há ainda a avaliação de que o cenário eleitoral pode mudar com o início oficial da campanha, quando adversários passarão a ser mais expostos ao escrutínio público. A expectativa é que fragilidades políticas de Flávio Bolsonaro sejam exploradas, incluindo investigações passadas e desempenho em debates.

Na oposição, o clima é de otimismo. Setores do PL avaliam que o senador ganha força na disputa e pode consolidar-se como favorito. O próprio Flávio comentou o resultado da pesquisa em redes sociais.

“O nosso trabalho está só no começo. Até outubro, ainda temos um longo caminho e, se Deus quiser, vamos libertar o Brasil”, escreveu.

Aliados do parlamentar defendem intensificar críticas ao governo, especialmente nas áreas de segurança pública e economia, enquanto mantêm um discurso moderado do pré-candidato.

Os dados do Datafolha também mostram um cenário de elevada rejeição. Segundo o levantamento, 48% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de forma alguma, enquanto 46% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.

Para o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), a eleição tende a ser definida pelo nível de rejeição dos candidatos.

“O que a pesquisa comprova é que o povo não quer um Lula 4 pelo simples e cada vez mais claro motivo de que não houve um Lula 3. O presidente prometeu tudo, foi eleito, o tempo passou e o povo acha que veio o nada. É isso que a pesquisa mostra”, afirmou.

Por fim, ele também resumiu sua análise sobre o cenário eleitoral: “Em 2022 as pessoas votaram em Lula para derrotar Bolsonaro, e agora votarão em Flávio para derrotar Lula”.

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